Impasse adia envio das Forças Armadas ao Rio

O governo federal rejeitou nesta terça-feira as condições impostas pelo governo do Rio para o envio de tropas das Forças Armadas para ajudar no combate ao crime organizado. O secretário de Segurança do Rio, Anthony Garotinho, pediu formalmente o apoio de 4 mil homens, mas discriminou que eles deveriam pertencer ao corpo de pára-quedistas do Exército, dos fuzileiros navais ou às forças especiais e atuariam em oito favelas. O tom irritou o governo. "As Forças Armadas não são instrumentos prêt-à-porter que se possa pegar e trazer sob a direção da autoridades estaduais", disse o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.Garotinho entregou o ofício com o pedido formal de cessão de militares ao secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Correa, durante reunião no Rio. Ele afirmou que caberia aos homens do Exército fazer o "cerco tático" ao tráfico nos Morros do Borel, Dendê e Mangueira, nos complexos do Alemão, São Carlos, Jacarezinho e da Maré e na favela da Metral. Garotinho disse que o grupo permaneceria nas favelas enquanto 4 mil policiais militares que o Estado está contratando não forem treinados. "Se os fuzileiros navais ou os pára-quedistas quiserem só a presença deles, nós tiramos nossos policiais dessas áreas. Tem muito trabalho para a polícia fazer", disse o secretário. Em Brasília, Thomaz Bastos disse que só vai usar as Forças Armadas quando se esgotarem todos os meios. E não escondeu a irritação com o ofício entregue por Garotinho a Correa. "Tenho grande apreço pelo secretário Garotinho e pela governadora Rosinha, mas se é este o ofício - não li o ofício, só tive notícias por flashes da televisão - se é este o ofício, é inatendível." Diante do impasse, o porta-voz da Presidência, André Singer, entrou em cena para assegurar que ainda há possibilidade de acordo com o Rio. Ele disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "continuará a ajudar o Estado em tudo o que for necessário para manter a ordem pública e a tranqüilidade."

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