Império aposta em luxo para falar da MPB

Escola da Casa Verde, no entanto, pode perder pontos em razão de problemas em três carros alegóricos

Elisa Estronioli, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

A Império de Casa Verde apostou no luxo e na beleza das fantasias e alegorias para contar seu enredo sobre a MPB, mas problemas com três de seus carros alegóricos poderão fazer a escola perder pontos e retirá-la da briga pelo título do carnaval de São Paulo. As dificuldades fizeram com que a Império precisasse apertar o passo para não extrapolar o limite de tempo.Os carros com problemas não chegaram a quebrar, mas evoluíram com lentidão pelo Sambódromo. Os carnavalescos gritaram para os foliões andarem depressa, o que não evitou alguns buracos entre uma ala e outra, o que certamente deve fazer a escola perder pontos. Mas o esforço valeu a pena. O último carro cruzou a linha de chegada na dispersão aos 63 minutos, fechando os desfiles do Grupo Especial.A idéia do tema da escola era fazer uma viagem pela história da Música Popular Brasileira, com o enredo Sambando e cantando e seguindo a Canção... Vem, vamos embora para a Festa da MPB. Apesar dos problemas com a evolução da escola, a Império mostrou a bateria, "Samba Exaltação", em formato de bandeira brasileira e um samba-enredo divertido e cheio de referências a clássicos da MPB.Optando por uma linha cronológica, e escola trouxe no primeiro carro um rei com um telefone na mão, numa clara referência àquele que é considerado o primeiro samba gravado no Brasil: Pelo Telefone, de Donga, gravado em 1916.O segundo carro homenageava a bossa nova, com direito a dois enormes violões posicionados nas laterais e a musa de outrora Helô Pinheiro, a garota de Ipanema. Esta é a segunda vez que ela desfila em São Paulo - já desfilou pela X-9 . "O carnaval de São Paulo está muito melhor, equiparando-se ao do Rio. Só precisa melhorar a pista", criticou a moça. O terceiro carro foi dedicado à Tropicália, com bonecos gigantes de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Rita Lee. Aliás, bonecos de artistas foram o que deu unidade aos carros, já que todos possuíam esse tipo de alegoria. No carro da Tropicália, destacou-se uma roda-gigante em movimento na qual sambavam cinco destaques da escola.BELOO quarto carro entrava na década de 70 e 80, com homenagens a Jorge Ben jor, Raul Seixas e até ao Balão Mágico. O último carro, representando a MPB a partir da década de 90, trazia na base um enorme caranguejo, numa homenagem ao Mangue Beat de Chico Science e Nação Zumbi, além de bonecos de Ivete Sangalo, Seu Jorge e de Belo. O cantor, aliás, desfilou pela escola ao lado de sua namorada, a rainha de bateria Gracyanne Barbosa.Após o término do desfile, várias pessoas ainda procuravam Belo para pedir-lhe autógrafo. Esta foi a primeira vez que ele desfilou na avenida e afirmou ter adorado a experiência com a Império de Casa Verde. "A escola fez um desfile bem técnico, compacto", avaliou o cantor. "Veio para ganhar".As previsões do cantor vão depender de quanto os jurados retirarão de pontos da escola por causa dos problemas com os carros. O pior ocorreu quando um deles ficou parado por vários minutos próximo à dispersão, atrapalhando a evolução das alas. Por apenas dois minutos a escola não estourou o tempo (65 minutos) para o desfile.

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