Império Serrano apela para a fé e conquista a Sapucaí

A Império Serrano apelou para fé do brasileiro e conseguiu conquistar a Marquês de Sapucaí no último dia de desfile do grupo Especial. Com um dos melhores sambas da noite, a verde e branca de Madureira optou pela simplicidade para retratar a religiosidade do povo. Todas as crenças foram homenageadas de forma criativa pelo carnavalesco Paulo Menezes, com destaque para o último carro alegórico, que trouxe um enorme São Jorge, santo considerado protetor da Império. Como já era dia claro quando a escola entrou no Sambódromo, as arquibancadas estavam mais vazias. Mas, isso não diminuiu a animação dos 4,2 mil componentes, que cantavam animadamente o refrão do samba: " Senhor , olhai por nós, até por quem perdeu a fé". A frase combina com o atual momento da escola de Madureira, que não conquista um título desde a década de 80. Arlindo Cruz, um dos autores do samba deste ano, chegou a dispersão chorando. "Fizemos esse samba para agradar as pessoas do Império e da Sapucaí. E acho que conseguimos." A bateria do mestre Átila foi um espetáculo à parte. Além de uma paradinha com levada afoxé na segunda parte do samba, os ritmistas ainda faziam uma coreografia que animou o público: divididos em dois grupos, deixavam espaço para a madrinha de bateria, Quitéria, dançar no meio deles e voltavam à formação inicial. Muito emocionado, um dos devotos mais famosos do santo, o ex-BBB, Jean Wills, estreou na avenida vestido de São Jorge. "Foi muito forte. Esse desfile tem tudo a ver com minha vida. Sou devoto dele e ainda professor de cultura brasileira", afirmou. A Império ousou ainda trazendo um São Francisco desnudo. Mas, apesar de um desfile alegre, a verde e branco também enfrentou problemas. Um grupo de dez passistas teve de desfilar com fantasias incompletas, o que deve prejudicar a escola.

Agencia Estado,

28 Fevereiro 2006 | 07h53

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