EFE/EPA/CIRO FUSCO/POOL
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'Imploro perdão de Deus por estes pecados', diz papa sobre abusos na Igreja

Somente na Irlanda, mais de 14 mil pessoas se declaram vítimas de abusos por membros da Igreja Católica; pedido de perdão ocorre no mesmo dia em que arcebispo acusa papa de se omitir diante de crimes sexuais

O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2018 | 12h41

KNOCK E DUBLIN - O papa Francisco pediu neste domingo, 26, "perdão a Deus" por todos os abusos sexuais e de poder cometidos por sacerdotes, instituições religiosas e membros da hierarquia da Igreja Católica na Irlanda. Ele falou sobre o tema em dois eventos realizados no seu segundo e último dia de visitas na Irlanda.

As declarações ocorrem em meio à divulgação da carta do arcebispo Carlo Maria Vigano que pede a renúncia do pontífice por supostamente ter se omitido diante das denúncias de crimes sexuais cometidos pelo ex-cardeal Theodore McCarrick. Segundo ele, o papa tinha conhecimento dos abusos desde 2013.

No santuário de Knock, a 180 quilômetros de Dublin, o papa discursou para mais de 45 mil pessoas, que portavam bandeiras com as cores amarela e branca, do Vaticano. "Imploro perdão de Deus por este pecados, pelo escândalo e a traição sofridas por tantas pessoas da família de Deus."

"Nenhum de nós pode prescindir de se comover com as histórias dos menores de idade que sofreram abusos, a quem lhes foi roubada a inocência e que foram abandonados com uma ferida de dolorosas recordações", disse o pontífice. "Esta cicatriz aberta nos desafia a sermos firmes e decididos na busca da verdade e da justiça." 

Antes de Francisco, o papa Bento XVI escreveu uma carta em 2010, na qual admitiu a responsabilidade da Igreja Católica pelos abusos cometidos no País. Desde 2002, mais de 14,5 mil pessoas declararam ter sido vítima de abusos cometidos por sacerdotes no país.

Já em Dublin, o papa Francisco pediu novamente perdão pouco antes de celebrar uma missa celebrada durante o Encontro Mundial das Famílias. A mensagem foi proferida em espanhol pouco antes do início da cerimônia, diante de 300 mil católicos que estavam no Phoenix Park.

Durante a declaração, o papa explicou que havia se reunido no sábado, 25, com oito vítimas de abusos cometidos no País e que, depois disso, queria "colocar diante da misericórdia do Senhor estes crimes e pedir perdão". 

"Pedimos perdão pelos atos de exploração laboral a que foram submetidos tantos menores", leu. Ele também recordou como "alguns membros da hierarquia" acabaram "guardando silêncio" diante de "situações dolorosas". 

"Pedimos perdão pelas crianças que foram tiradas de suas mães, e por todas aquelas vezes que se disse a muitas mães que tentaram buscar a seus filhos", disse. Por isso, encerrou com um pedido para que Deus dê "forças para nos comprometermos a trabalhar para que isso nunca mais ocorra e que haja justiça"./EFE e AFP

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