Epitacio Pessoa/AE - 28/9/2010
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Implosão de aliança histórica em SP pressiona Alckmin a tirar pasta de Afif

Vice, à frente do Desenvolvimento Econômico, deixou o DEM para acompanhar Kassab no PSD e desfez o grupo que conduziu o governador e o prefeito ao poder; agora, seu antigo partido exige o cargo ocupado por ele ou outro com influência política

Alberto Bombig, Iuri Pitta e Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2011 | 00h00

O grupo político que desde 2003 comanda o Estado de São Paulo e a capital paulista desde 2005 vive sua pior crise e pode ser implodido nas próximas horas. Tudo por conta da criação do PSD (Partido Social Democrático) pelo prefeito Gilberto Kassab e de sua aproximação da base de apoio da presidente Dilma Rousseff.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) está propenso a demitir do secretariado o vice-governador, Guilherme Afif, um dos primeiros a anunciar a saída do DEM para seguir Kassab no novo partido. A decisão de Afif provocou imenso incômodo entre tucanos exatamente pelo seu simbolismo político: o vice-governador era o elo da histórica aliança do PSDB com o DEM. Em 2002, foi Kassab que indicou Cláudio Lembo para vice de Alckmin. Em 2004, o próprio Kassab foi o escolhido para vice de José Serra na Prefeitura. No ano passado, o DEM designou Afif para novamente compor com Alckmin. Agora, Kassab, Lembo e Afif estão fora do DEM.

Considerado um dos "fiadores" da coligação PSDB-DEM, Afif está desde a posse à frente da poderosa Secretaria de Desenvolvimento Econômico, pasta que gerencia a rede de ensino técnico do governo paulista, uma das principais vitrines tucanas. Partiu do DEM a exigência para que Alckmin dê espaço político relevante ao partido no governo e deixe Afif como uma figura quase decorativa no cargo de vice.

Anteontem, o senador Agripino Maia (RN), presidente do partido, almoçou com o governador e reivindicou o cumprimento de compromissos estabelecidos quando a aliança foi firmada: uma secretaria importante.

Na conversa, foram discutidas três possibilidades para alojar o DEM. A mais cobiçada é a secretaria hoje comandado por Afif. A outra, praticamente rejeitada pelo DEM, é a pasta da Agricultura - João Sampaio está saindo do cargo. O governador prometeu, ainda, analisar uma terceira possibilidade. O DEM exige visibilidade e força política. "O espaço do DEM no governo Alckmin é um fato", sentenciou Agripino.

O governador não rechaçou a hipótese de retirar Afif nem a aceitou prontamente. Prometeu uma solução para as próximas horas, mas seus aliados afirmaram reservadamente que ele estaria propenso a aceitar o acordo, inclusive cedendo a pasta de Desenvolvimento Econômico.

Cotado. O nome do DEM mais citado para ocupar um cargo no governo Alckmin é o do deputado Rodrigo Garcia que, apesar de ser muito próximo a Kassab, optou por permanecer na sigla.

A composição de Alckmin com o DEM em seu secretariado também afeta a reorganização da sigla nos diretórios estadual e municipal, enfraquecidos pela saída de Kassab. Para o governador, contar com aliados nas regionais do DEM passou a ser um trunfo para 2012, diante da tensão vivida dentro do PSDB paulistano. Melhor ainda se o nome for um desafeto do prefeito.

Nesse cenário, ganhou força para o comando do DEM paulistano o nome de Alexandre de Moraes, que foi secretário de Justiça de Alckmin e de Transportes de Kassab. Moraes era provável candidato à sucessão do prefeito, mas planos para o transporte público desgastaram o então "supersecretário". Ele deixou o posto em junho de 2010.

No diretório estadual, o DEM caminha para escolher o deputado Jorge Tadeu Mudalen. O nome dele também é citado como possível secretário-geral.

Garcia era cotado para a regional paulistana, mas, na visão da cúpula do DEM, a proximidade dele com Kassab, de quem foi secretário na Prefeitura, faria com que o diretório continuasse sob influência do prefeito paulista.

Insistência. Alckmin pediu ao vice para que ele permanecesse no DEM. Afif, no entanto, alegou ter um "compromisso" com Kassab. No Palácio dos Bandeirantes, o gesto foi visto como um rompimento. Kassab já anunciou a disposição de lançar um candidato à sucessão. Para aliados de Alckmin, a única possibilidade de Kassab apoiar o PSDB é se José Serra, seu padrinho político, for o candidato.

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