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Implosão do Carandiru livra moradores de "incômodo"

Para os moradores da região do Complexo Penitenciário do Carandiru, na zona norte, a Casa de Detenção representava um incômodo permanente, a possibilidade de alguma tragédia. Todo mundo por ali tem uma história de medo para contar.Agora, aliviados, eles torcem para que o projeto do governo do Estado seja concluído e o que chamam de "cartão-postal" da região passe a ter um aspecto bem melhor.O bancário aposentado Silvio Pereira Farias, de 51 anos, lembra que, até a desativação da Casa de Detenção, em setembro, as portas de sua casa, na Rua Joaquina de Jesus, estavam sempre fechadas. A família vivia sem sossego. "Era perigo constante. Os presos saíam pelos bueiros da Rua Ipanema, aqui do lado", conta. "Eu coloquei concreto na minha boca-de-lobo para ficar mais tranqüilo."A aposentada Dirce Casarini Valdo, de 67 anos, também vivia assustada. Viúva, ela tinha medo de ser atacada por algum fugitivo. Também temia pela filha, de 28 anos, que mora com ela na Rua Amoroso Costa. "Um dia, uma senhora vizinha estava estendendo roupas no quintal e foi atacada por um rapaz que tinha fugido. A sorte dela foi que o filho chegou e conseguiu salvá-la", lembra.Para essas pessoas, a perspectiva de um parque no lugar da antiga vizinhança traz esperança e alívio.Moradora da Rua Dom José Maurício, a aposentada Nancy de Almeida Boninsegna, de 68 anos, acha que a mudança será "uma maravilha". "Essa rapaziada do bairro precisa de uma coisa assim", acredita. Ela lembra que seu pai, Menotti Martini, há décadas comentava que seus netos desfrutariam da área de lazer que seria construída lá. Talvez só os bisnetos ou tataranetos tenham essa oportunidade.Menos entusiasmado, o comerciante Paulo César da Fonseca, de 33 anos, quer ver para crer. "Não adianta fazer um parque e não cuidar. O projeto é maravilhoso, mas eu quero ver acontecer tudo isso. Quero ver os prazos."Para ele, a Casa de Detenção tinha um aspecto positivo: o policiamento na região. "Tenho um bar e nunca fui assaltado porque os carros da polícia sempre estavam por aqui."Farias, que já está cansado de explicar onde mora e dar como ponto de referência o Carandiru, acha que a imagem da região começa a mudar e quer lutar para que o restante do complexo penitenciário seja retirado de lá. "Quando as obras começarem, nós teremos um bom argumento. Vamos dizer: tá vendo como é bom?"Veja galeria de fotos dos preparativos para a implosão.Veja galeria de fotos da Casa de Detenção após a saída dos presos, em setembro.

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