Imprensa estrangeira destaca 'ineditismo' de matança em escola carioca

Para jornais, brasileiros 'ainda estão tentando entender' tragédia que só parecia realidade nas manchetes internacionais.

BBC Brasil, BBC

08 de abril de 2011 | 06h21

SÃO PAULO - O massacre na escola municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, é destaque nos principais jornais estrangeiros nesta sexta-feira.  Muitos destacam o ineditismo deste tipo de acontecimento no Brasil, enquanto outros reproduzem trechos da carta deixada pelo atirador, Wellington Menezes de Oliveira, antes de se suicidar.

O diário The New York Times destaca que, logo após a matança, os cariocas "buscavam entender" a tragédia, na qual morreram dez meninas e dois meninos, com outros 24 feridos. "A violência urbana não é estranha ao Brasil, especialmente o tipo de violência nas favelas controladas pelas quadrilhas, que deram a esta cidade as taxas mais altas de homicídio do mundo. Mas pensava-se que o espectro do massacre na escola era principalmente uma aflição americana", escreve o correspondente do jornal no Rio de Janeiro.

Na mesma linha, o diário Christian Science Monitor, de Bóston, descreveu "uma nação em choque diante do seu primeiro massacre escolar".

Na Espanha, o El País afirma que "os brasileiros só tinham notícia de matanças perpetradas em escolas através das reportagens do exterior". "A tragédia convulsionou a todo o país por inédita", escreve o correspondente do jornal espanhol no Rio.

Ainda na Espanha, o El Mundo dedica uma página inteira à tragédia, sob o título "Dez minutos de disparos e gritos de desespero".  "Se é inquietante a frieza com que Wellington cometeu um assassinato após outro na mesma escola onde havia estudado anos atrás, preocupa também o conteúdo religioso da carta que deixou escrita", afirma a reportagem do "Mundo".

Na Grã-Bretanha, o jornal The Guardian também destaca trechos da carta deixada por Wellington, que o diário considera cheia de "divagações" e "bastante incoerente".

Memória. Na Argentina, o jornal La Nación prepara um histórico de incidentes semelhantes no mundo. O da escola de Columbine, em Littletone, nos EUA, é um dos mais lembrados da lista. No incidente, dois jovens abriram fogo contra alunos da escola antes de se suicidar em abril de 1999, deixando 13 mortos.

O mais sangrento, segundo o jornal, foi o ocorrido na universidade Virginia Tech, em Blacksburg, também nos EUA, oito anos depois de Columbine. Um estudante de origem sul-coreana matou outros 33 antes de tirar a própria vida.

Na Argentina, o ataque de um jovem de 15 anos contra seus colegas, que deixou três mortos em 2004, teria sido o primeiro deste tipo na América Latina.

"Jamais havia ocorrido um episódio deste tipo no país; os brasileiros se assustaram e a classe política se mobilizou para tentar dar mostras de tranquilidade e assegurar que serão tomadas as medidas necessárias para evitar que uma tragédia deste tipo volte a acontecer", escreveu o diário argentino.

Já o Clarín entrevistou o sociólogo argentino Julio Waiselfisz, que há 12 anos faz um mapa da violência no Brasil. O especialista diz que, apesar de inédita, a matança "não surpreende, em um contexto social onde as armas estão ao alcance de qualquer mão e onde a solução dos conflitos muitas vezes termina com a morte do outro".

 

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