Imprensa européia também se volta à eleição no Brasil

O diário ABC, da Espanha, traz em sua edição desta quarta-feira uma reportagem na qual afirma que "Lula está disposto a tudo para se salvar e conseguir a reeleição neste domingo". Para isso, segundo o jornal, o presidente "ligou o ventilador". "Os primeiros a receber os ares fétidos do que batizou como ´dossiêgate´ (...) são os mesmos que até há algumas semanas formavam seu círculo íntimo: o presidente do PT e ex-chefe de campanha, Ricardo Berzoini, os assessores presidenciais Freud Godoy e Osvaldo Vargas assim como, entre outros, seu amigo íntimo Jorge Lorenzetti", diz o texto.Carregando nas tintas fortes, a enviada Carmen de Carlos descreve o que chama de "efeito teflon" do presidente Lula. "Como uma frigideira nova, segundo as pesquisas, não lhe gruda suficientemente a comida (podre) do ´dossiêgate´", escreve a repórter. "Lula perdoa a si mesmo e condena os seus."Campanha tristeA quatro dias das eleições, a avenida Paulista, em São Paulo, apresenta um aspecto quase igual ao de meses anteriores, e "nada faz lembrar que o Brasil está envolvido na reta final da campanha", relata reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal espanhol El País.Sob o título "O Brasil vive sua campanha mais triste", o texto aborda as restritivas leis de propaganda eleitoral, que proíbem as atuações musicais em showmícios e restringe a fabricação de brindes políticos."Ao descobrir em 2005 que o seu próprio partido era uma máquina coberta de financiamento ilegal, Lula impulsionou uma lei eleitoral muito restritiva (?), que na prática supôs que, em um país caracterizado pelo colorido e pelo festejo permanente, seu processo eleitoral se viva praticamente só nos meios de comunicação."O jornal menciona uma suposta estratégia de Lula para desviar a linha da campanha eleitoral do tema da corrupção, através da troca de farpas entre o presidente e o ex-ocupante do posto, Fernando Henrique Cardoso.Outro "ás na manga", para o El País, foi o encontro entre Lula e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, para falar sobre a candidatura do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2012, um tópico capaz de "fazer todos os brasileiros entrarem em acordo".Tensão calçadistaO diário financeiro Financial Times ecoa as críticas do setor calçadista à política cambial do governo Lula, e diz que, se as eleições fossem realizadas apenas na cidade de Novo Hamburgo, o presidente "estaria fora do cargo em breve".No pólo calçadista no sul do país, abundam críticas contra o alto valor da moeda nacional em relação ao dólar, que tirou competitividade das exportações brasileiras."O real avançou 60% frente ao dólar desde que o presidente Lula assumiu o poder, em janeiro 2002", explica o FT. "Isto tornou os produtos brasileiros vulneráveis a importações baratas, especialmente de produtores emergentes a baixo custo, como a China".O jornal diz que a conjuntura é "frustrante" e "potencialmente devastadora" para a indústria. "Os fabricantes de calçado brasileiros estão entre os mais avançados do mundo. As companhias investiram pesado na modernização nas últimas décadas, e muitos realocaram parte de sua produção para o Nordeste, mais pobre e menos custoso, para economizar em custos."Outros problemas são a carga tributária, infra-estrutura precária, burocracia e alto custo de capita, problemas que só seriam resolvidos através de "medidas politicamente difíceis".

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