''Imprensa plural e investigativa é imprescindível'', afirma Dilma

''Imprensa plural e investigativa é imprescindível'', afirma Dilma

Em festa de 90 anos do jornal ''Folha de S. Paulo'', presidente diz que construção de democracias exige de governos saber conviver com as críticas dos jornais e aceitar diferenças de opinião, de crença e de propostas

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2011 | 00h00

Ao discursar na festa comemorativa do aniversário de 90 anos do jornal Folha de S. Paulo, na segunda-feira à noite, a presidente Dilma Rousseff afirmou que considera a imprensa livre "imprescindível" na construção das democracias e que os governos devem saber conviver com as críticas dos jornais.

"No Brasil de hoje, com uma democracia tão nova, todos nós devemos preferir, um milhão de vezes, o som das vozes críticas de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras", assinalou. "Uma imprensa livre, plural e investigativa é imprescindível para um país como o nosso."

Dilma discursou para uma plateia de quase 1.200 convidados, reunidos na Sala São Paulo, na região central da capital paulista. No início de seu discurso, ao saudar as autoridades e políticos presentes, mencionou o vice-presidente, Michel Temer e, indo além do protocolo, saudou também o ex-governador José Serra (PSDB), com quem disputou a eleição no ano passado. Mais tarde, ao sair da festa, conversou rapidamente com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Dilma destacou em diferentes partes de seu discurso a importância, no regime democrático, da convivência das diferenças de opinião, da liberdade de crítica e do direito de se expressar e se manifestar. "A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia, mesmo quando são irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem", disse.

Mais adiante, voltou a insistir no tema: "O amadurecimento da consciência cívica da nossa sociedade faz com que nós tenhamos a obrigação de conviver de forma civilizada com as diferenças de opinião, de crença e de propostas".

Estavam presentes, entre outras personalidades, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito da capital, Gilberto Kassab (DEM). Também participaram da comemoração os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Fernando Collor (PTB) e José Sarney (PMDB). A lista de autoridades e personalidades políticas incluía ainda os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, e da Câmara, Marco Maia (PT).

Em seu pronunciamento, o governador Alckmin também destacou a questão da liberdade de imprensa, dizendo que se trata de um pleonasmo. "A imprensa só é se for livre", afirmou. No mesmo tom da presidente, ele falou sobre o dissenso: "A democracia nos ensina que as sociedades livres estão obrigadas a um único consenso: haver regras civilizadas para o exercício do dissenso".

A comemoração começou com um ato multirreligioso, com representantes de oito religiões (catolicismo, budismo, islamismo, espiritismo, protestantismo, candomblé, judaísmo e armênios apostólicos). No encerramento, a Sinfônica do Estado de São Paulo executou, sob a regência de Isaac Karabtchevsky, a Sinfonia N.º 6 de Villa Lobos.

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