Incêndio atinge ocas em praia de Niterói e fere um índio

Grupo indígena está em Camboinhas desde abril, mas enfrenta resistência por parte de alguns moradores

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2008 | 15h16

Ocas de índios instalados na Praia de Camboinhas, um dos endereços mais valorizados de Niterói, foram incendiadas no início da tarde desta sexta-feira, 18. O índio Joaquim Caraibenipe, de 43 anos, ficou ferido durante incêndio de ocas na praia de Camboinhas, em Niterói. Segundo a índia Jurema Nunes de Oliveira, de 27 anos, um homem correu por entre as ocas, gritando: "Olha o fogo!".   Veja também: Reunião da Funai decidirá destino de índios em praia de Niterói Moradores tentam tirar índios de praia em Niterói-RJ    O advogado Arão da Providência Araújo Filho, que é integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ e índio guajajara, foi ao local. Os índios estão em Camboinhas desde abril e enfrentam a resistência de alguns moradores do bairro, que temem a desvalorização da área com a presença deles.   O incêndio destruiu as seis ocas em que 43 índios moravam desde abril. "A gente perdeu tudo. A roupa do corpo, dinheiro, fogão, mas a gente não vai embora, vai lutar e ficar aqui", disse Jurema. Eles estão abrigados numa casa onde funcionava um projeto de Windsurf, perto da aldeia, e fizeram um apelo por colchonetes, cobertores e roupas, principalmente para as 22 crianças da tribo.   O presidente do Instituto Estadual de Florestas (IEF), André Ilha, disse que vinha negociando a retirada pacífica dos índios porque a aldeia foi erguida em área do Parque Estadual da Serra da Tiririca. A legislação não permite a ocupação permanente em área de preservação. "Eu estava numa reunião e, quando fui avisado, tive a certeza de que esse incêndio é criminoso. Existe fortíssima pressão da especulação imobiliária em torno das áreas não edificadas da Lagoa de Itaipu. Minha preocupação imediata é garantir o bem-estar mínimo deles", disse Ilha.   O cacique Darci, filho da líder, dona Lídia, disse que a tribo sofreu três ameaças nos últimos meses. A última delas ocorreu em 4 de julho, quando os homens da tribo participavam de uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Niterói. Três homens armados ameaçaram as mulheres e disseram que matariam todo mundo se não deixassem a área. "Não vamos desistir. Guerreiro nunca desiste da luta. Se em 500 anos de contato com os brancos, nós conseguimos resistir, por quê desistiríamos agora?", afirmou.   Peritos da Polícia Civil estiveram no local e informaram que o incêndio foi criminoso porque havia vários focos e não um só. Se tivesse ocorrido um acidente, observaram, o fogo se alastraria a partir de um único ponto. A delegacia de Itaipu (81.º DP) abriu inquérito para investigar o caso.   Atualizado às 19h55

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