Incêndio atrapalha Círio de Nazaré, no Pará

Por muito pouco, o Círio de Nazaré, que reuniu hoje em Belém 1,8 milhão de católicos na maior procissão do país, não termina numa grande tragédia. Um incêndio numa loja localizada no trajeto da romaria fez com que os bombeiros e a polícia se mobilizassem para conter a multidão, momentos antes de a santa passar pelo local. Enquanto o fogo era combatido, os policiais militares desviavam com megafones o percurso da procissão, que deveria passar pela avenida que contorna a feira do Ver-o-Peso.A missa que dá início à programação do Círio já havia começado, quando a fumaça do incêndio começou a surgir no céu, chamando a atenção dos romeiros que já estavam na porta da Catedral da Sé e dos que se aproximavam. O incêndio destruiu internamente todo o prédio da tradicional Casa Chamma, localizada no Boulevard Castilhos França, em frente à feira do Ver-O-Peso.Segundo populares, o incêndio teria sido provocado por um romeiro que soltou fogos de dentro do prédio, onde havia material inflamável. As chamas rapidamente consumiram o prédio, cujas paredes racharam, ameaçando desabar. "Graças à Nossa Senhora de Nazaré ninguém saiu ferido. Os danos foram apenas materiais", informou o coronel da Polícia Militar, Joaquim Araújo.Novo trajetoAo invés de passar pelo Ver-o-Peso, onde receberia tradicionais homenagens de pescadores e feirantes, a berlinda com a imagem da santa foi desviada pela avenida João Alfredo, descendo pela travessa Frutuoso Guimarães e encontrando os romeiros novamente na Boulevard Castilhos França, ao lado do prédio da Alfândega.Por causa do acidente, a procissão durou menos de quatro horas no trajeto de 4,5 km. A corda dos pagadores de promessa sequer foi atrelada à berlinda da santa, o que provocou protestos dos romeiros. Eles acusaram os organizadores do Círio de tentar acabar com uma das demonstrações de fé mais autênticas da procisão. "Sem o sacrifício de segurar na corda para pagar uma promessa, o Círio não tem graça", criticou a doméstica Solange Melo.Com 400 metros de comprimento e três polegadas de diâmetro, a corda é disputada por aproximadamente 40 mil promesseiros, todos descalços. Entre empurões e pisões, a briga é para segurar um pedaço da corda, acompanhando a berlinda com a imagem até o final do Círio. Completar todo o trajeto significa pagar a promessa feita à santa.

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