Incêndio destrói favela e deixa 500 desabrigados

Cerca de 80% dos barracos na Casinha Verde, zona leste, foram destruídos; curto-circuito é possível causa

Andressa Zanandrea e Gabriela Gasparin, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

Pelo menos 500 pessoas ficaram desabrigadas após um incêndio iniciado por volta das 3 horas de ontem na Favela Casinha Verde, Jardim Limoeiro, zona leste de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, as chamas, que chegaram a quase 5 metros de altura, foram provavelmente provocadas por um curto-circuito. Ninguém ficou ferido.Cerca de 80% dos 150 barracos na área de 8 mil metros quadrados foram destruídos. A tragédia só não foi pior porque os moradores se deram conta do incêndio rapidamente. Trinta homens do Corpo de Bombeiros, em nove viaturas, estiveram no local para apagar as chamas, trabalho que durou quatro horas e consumiu 80 mil litros de água. O fogo começou na casa do cobrador de perua Rodrigo da Cruz, de 19 anos. "Eu estava dormindo quando um colega me avisou do fogo", disse. Cruz, que morava na favela havia oito meses, não tem idéia do que pode ter originado o acidente. No início da manhã, em meio às cinzas, as pessoas tentavam achar pertences, como chaves ou documentos, mesmo que o chão ainda estivesse quente e novos focos insistissem em surgir. RECONSTRUÇÃOA Subprefeitura de São Miguel, responsável pela área, ofereceu um abrigo de mil metros quadrados no Jardim São Vicente, em São Miguel, onde funcionava um sacolão. Os moradores não aceitaram a solução e passarão os dias no local do incêndio até reconstruírem os barracos. A líder comunitária Esicleide de Albuquerque, de 59 anos, apoiou a decisão. "Se eles foram para o abrigo não poderão voltar nunca mais para cá." A favela atingida pelo incêndio deveria ser um conjunto habitacional de uma parceria entre a Companhia do Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e a Cohab. Esicleide afirma que, em 2004, foi aprovado um projeto para construir 300 apartamentos no local.O subprefeito de São Miguel, Décio José Ventura, disse que os apartamentos não foram construídos por causa do tipo da ocupação. Segundo ele, a Secretaria Municipal da Habitação tem critérios para escolher as favelas a serem urbanizadas, entre os quais o de que são priorizadas as instaladas em locais de risco geológico, com propensão a enchentes ou desabamento, o que não é o caso da Favela Casinha Verde.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.