Incêndio destrói prédio histórico

Conselheiros da Classes Laboriosas acreditam em crime; entidade passou por intervenção

Eduardo Reina e Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

Um incêndio misterioso destruiu parte do edifício centenário da seguradora de saúde Associação Auxiliadora das Classes Laboriosas, na Rua Roberto Simonsen, região do centro velho. O fogo começou ontem por volta de 1h30 e só foi controlado às 3 horas pelos bombeiros. A empresa, fundada em 1891, foi a primeira do País a vender convênios médicos. Nos últimos dez anos, porém, a entidade enfrenta disputas internas, ações de clientes na Justiça e dívidas que resultaram em uma intervenção do governo federal. Ontem, conselheiros e funcionários da seguradora disseram acreditar em crime - o incêndio atingiu o último andar do edifício, local onde ficavam documentos. Há quatro anos, dizem os conselheiros, a atual gestão do presidente Castor José Feijó, de 80 anos, trava disputas com o ex-presidente Antonio de Sousa Loureiro Filho, de 62. "Acho o incêndio muito estranho", suspeitou Loureiro, destituído da presidência em agosto do ano passado. "Toda a fiação elétrica do prédio era nova. E as determinações de segurança foram cumpridas. O que eu posso dizer é que tudo o que está sendo dito não tem objetividade. Vamos esperar o resultado da perícia", argumentou Feijó. O delegado do 1º Distrito Ricardo Trentini disse que a polícia terá mais informações na quarta-feira. Não é a primeira vez que a Classes Laboriosas aparece em inquéritos policiais. Desde 2006, o 1º DP apura desvio de verbas. Antes, em 2005, a Agência Nacional de Saúde havia pedido a indisponibilidade dos bens dos integrantes da direção da empresa devido a problemas financeiros. A associação tinha dívida de R$ 11 milhões com credores, passivo sanado em janeiro de 2006, segundo o atual presidente. As chamas destruíram o anfiteatro Celso Garcia, onde havia 14 lustres de cristal. O prédio, tombado pelo patrimônio histórico desde 1995 e cuja construção teve início em 1907, fica a 100 metros do Pátio do Colégio. Foram necessárias 12 equipes dos bombeiros para evitar que as chamas atingissem edifícios vizinhos. "Não havia material combustível na sede. É estranho o fogo ter começado na parte de cima", disse o porteiro José Sidônio.O porteiro que estava de plantão, Moacir Santana, contou que havia uma outra pessoa no prédio, no setor de internação. Santana afirmou que por volta de 1h30 escutou barulhos estranhos no teatro - no último andar - durante a vistoria de rotina, mas não conseguiu ver nada de diferente. Pouco depois, o alarme contra incêndios começou a tocar. "O pânico tomou conta de mim", disse.Santana disse que teve tempo apenas de acionar os bombeiros. Ninguém se feriu. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, peritos do Instituto de Criminalística coletaram material. As chamas comprometeram a estrutura do imóvel, que tem dois andares, térreo e subsolo. A direção da Classes Laboriosas pleiteia verbas para a reforma, segundo a diretora de Meio Ambiente e Paisagem Urbana da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Regina Monteiro.

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