Incêndio em fábrica apavora Diadema

Fogo teve início em empresa de produtos químicos, atingiu 120 m de altura e danificou 7 casas; ninguém morreu

Vitor Hugo Brandalise e Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

incêndio, na manhã de ontem, na empresa de distribuição e comercialização de produtos químicos Di-All Química, localizada num bairro residencial de Diadema, na Grande São Paulo, danificou duas empresas e sete casas, além de provocar a evacuação de três quarteirões no Jardim Ruyce. Dezoito pessoas foram atendidas com ferimentos leves e intoxicação por inalação de fumaça. Os bombeiros levaram mais de três horas para controlar as chamas, que chegaram a 120 metros de altura. Nos primeiros minutos do incêndio, que começou às 7h20, houve cerca de dez explosões nos galpões da empresa, levando as chamas até as construções vizinhas e pânico aos moradores.   Mapa do local, galeria de fotosAté o início da noite, a causa do fogo ainda não havia sido descoberta pelo Corpo de Bombeiros. Um laudo do Instituto de Criminalística deve sair em 30 dias. Ao todo, 36 pessoas ficaram desalojadas. Três escolas públicas próximas também tiveram de ser fechadas. Entre as 18 pessoas retiradas do local para atendimento médico, havia um bombeiro e 17 moradores. Uma pessoa teve crise convulsiva e três tiveram crises nervosas. Segundo a prefeitura de Diadema, todos passavam bem.A rua mais atingida pelas labaredas foi a Henrique de Léo, nos fundos da empresa - ali, o fogo que desceu a via derreteu o asfalto, queimou cinco árvores, duas lixeiras e seis postes, e tingiu de preto as fachadas de casas distantes até 200 metros do foco do incêndio. "Foi como se descesse um rio de fogo pela rua. Coloquei a cabeça na varanda, vi o fogaréu e logo voltei para dentro, para tirar a família de perto", conta o representante comercial Cipriano Lova Filho, de 53 anos, vizinho da empresa. Na varanda de sua casa, completamente enegrecida, todos os nove vasos de plantas que a família cultivava estavam queimados - no mesmo local, em cima da churrasqueira, um pequeno par de tênis, do seu neto, Guilherme, de 4 meses, havia derretido. "Pense nas labaredas de um vulcão. Peguei a família e fui para os fundos. Apesar de todo mundo ter engolido fumaça, ninguém se feriu." Na empresa Imagui, de comércio e manutenção de equipamentos para transporte de produtos químicos, vizinha à Di-All, o calor liberado pelas explosões derreteu completamente um tanque de alumínio de 7 milímetros de espessura, utilizado em caminhões para transportar combustível. O prejuízo, somente com aquele equipamento, foi de cerca de R$ 270 mil.Nos galpões da Di-All, segundo análise preliminar dos bombeiros, eram armazenados galões de três tipos de produtos químicos: água rás, tíner e hexano (componente comum da gasolina). "Porque eram altamente inflamáveis, os produtos causaram explosões simultâneas. Foi um incêndio traiçoeiro, complicadíssimo de controlar", disse o tenente-coronel Valdeir Vasconcelos, comandante do Corpo de Bombeiros do ABC. Para conter as chamas, os bombeiros acionaram 35 equipes - 15 da capital -, com 120 homens.DOCUMENTAÇÃOSegundo a prefeitura, a empresa Di-All Química estava legalizada: tinha alvará de funcionamento, auto de vistoria dos bombeiros (válido até 2011) e certificado de dispensa de licença ambiental pela Cetesb (foi dispensada pois declarou como atividade fim apenas "comercialização e distribuição de produtos de limpeza", não passível de crime ambiental). Após análise preliminar, porém, a própria Cetesb admitiu que a Di-All poderia estar desrespeitando sua atividade fim - armazenando produtos inflamáveis utilizados para outra razão, diferente da declarada. "Ao que tudo indica, a empresa exercia atividade que não a declarada quando conseguiu dispensa de licença ambiental", disse Eduardo Serpa, assistente da Direção de Controle de Poluição Ambiental da Cetesb. A multa por desrespeito à lei varia de R$ 80 mil a R$ 160 mil. A Cetesb descarta contaminação do esgoto por produtos que vazaram - mas analisa se o acidente afetou lençóis freáticos.A prefeitura de Diadema também vai investigar se a empresa armazenava quantidade de produtos superior ao permitido no local. "Nunca vi produtos de limpeza elaborados com esse tipo de produto", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Químicas do ABC, Paulo Lage. "No nosso cadastro, a empresa constava em um outro endereço. Tem algo estranho." O advogado Ruben Seidl, representante da Di-All, afirmou que a empresa tem todas as "autorizações pertinentes à atividade exercida" - segundo ele, de comércio e importação de produtos químicos. Ele disse que a Di-All não tem estimativa dos prejuízos, mas que a empresa fará tudo o que estiver ao alcance para ajudar quem teve a casa atingida. O advogado, porém, não falou em indenizações.

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