Incêndio em favela do Rio interdita Linha Vermelha

Um incêndio na favela Boa Esperança, no Caju, zona norte do Rio de Janeiro, destruiu cerca de 200 barracos, causou a morte de Mayara Gomes Ribeiro, 2 anos, e ainda fechou a Linha Vermelha, principal via de acesso entre a Baixada Fluminense e a zona sul carioca. Outras seis pessoas, entre elas duas crianças, estão desaparecidas.O fogo começou por volta das 14h30, provavelmente causado pela explosão de um botijão de gás, deixou 300 pessoas desabrigadas e provocou o afundamento de um trecho da Linha Vermelha, sentido centro. Oito pessoas foram levadas para hospitais da cidade.O governador Anthony Garotinho, que esteve no local, contou que o governo tinha planos de transferir os moradores da Boa Esperança para um conjunto habitacional em Acari (zona norte), mas que isso não foi possível. Garotinho prometeu que os desabrigados serão levados para o conjunto.A mãe da menina Mayara, Rose Gomes Ribeiro, de 22 anos, tinha saído de casa para lavar roupa e disse que quando voltou não conseguiu ultrapassar as chamas para salvar a filha. "Quando cheguei, havia tanta fumaça e fogo que não consegui entrar em casa", afirmou. O marido de Rose e pai de Mayara, Luciano Ribeiro, de 20 anos, também não estava em casa.Ele contou que, no momento do incêndio, participava de uma manifestação na Barra da Tijuca contra a Prefeitura do Rio. "Eles tinham prometido que a gente ia mudar para a Barra, mas nunca fizeram nada", protestou. "E agora minha filha está morta."A operação para controlar o fogo e isolar a área mobilizou cerca de 300 homens, entre policiais militares, bombeiros e técnicos da Defesa Civil. Segundo o comandante-geral da Polícia Militar, Wilton Ribeiro, havia informações de que moradores da favela deram disparos para o alto antes de a polícia chegar, mas negou que tivesse havido saque aos carros que passavam pelo local.Congestionamento - O afundamento da pista da Linha Vermelha na véspera do feriado prolongado parou cerca de 8 quilômetros da estrada - que dá acesso à Via Dutra - e ainda paralisou outras avenidas principais do Rio, como a Brasil e a Perimetral. Henrique Ribeiro, diretor do DNER, explicou que o incêndio esquentou as vigas de sustentação das pistas, que acabaram cedendo."O calor foi tanto que provocou o afundamento", disse. Segundo Ribeiro, as pistas terão que ser derrubadas para, só depois, serem reconstruídas. O trabalho deve levar três meses. Na Linha Vermelha, passam 96 mil veículos por dia. A expectativa para hoje é de que este número chegue a cem mil, que serão desviados para a Avenida Brasil.

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