Nathalie Brasil / Semcom
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Incêndio de grandes proporções atinge 600 casas em Manaus e deixa 4 feridos

Cerca de 500 famílias ficaram desabrigadas; prefeito disse que assinará um decreto de calamidade pública e presidente Temer colocou os órgãos do governo federal à disposição das autoridades locais

Igor Moraes, Jéssica Otoboni e Bruno Tadeu, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2018 | 03h37
Atualizado 19 Dezembro 2018 | 11h04

Um incêndio de grandes proporções atingiu cerca de 600 casas de madeira no bairro de Educandos, zona sul de Manaus, na noite desta segunda-feira, 17. O fogo teve início por volta das 21h e deixou ao menos 500 famílias desabrigadas. Quatro pessoas ficaram feridas após inalar fumaça. Há suspeita de que o fogo tenha sido provocado por acidente doméstico.

Muitas das residências atingidas estão localizadas perto do Rio Negro, às margens de um igarapé. Segundo o Corpo de Bombeiros, há indícios de que o fogo tenha começado após a explosão de uma panela de pressão em uma das casas.  "Minha esposa chegou em casa e foi cozinhar, quando a botija explodiu. Ela queimou braços e pernas e foi salva pelo meu filho mais velho", afirmou o peixeiro Paulo Sérgio, de 49 anos.

Sérgio mora com a esposa e três filhos e estava em uma feira no momento da explosão. Segundo afirma, ficou assustado quando viu as chamas de longe. "Não conseguimos salvar nem um palito de fósforo", disse o peixeiro, que foi se abrigar na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição junto com cerca de outras cem famílias.

Na hora do incêndio, o vento estava muito forte e teria ajudado a alastrar as chamas. "Temos um posto do Corpo de Bombeiros próximo ao local, porém em casa de madeira a queima é rápida. O fogo só foi controlado por volta de 1 hora da manhã (3 horas, em Brasília)", disse o subcomandante geral dos Bombeiros, coronel Josemar Santos. De acordo com a corporação, foram mobilizados cem bombeiros e 14 caminhões, e mais de 100 mil litros de água foram usados para combater o incêndio.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), lamentou o ocorrido. "Toda a Prefeitura estará à disposição das vítimas da tragédia enquanto o problema durar", disse ele em sua conta no Twitter.

No fim da noite, a Prefeitura anunciou uma força-tarefa para atender às vítimas. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Defesa Civil, Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manautrans), Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) e Fundo Manaus Solidária prestaram atendimento às pessoas prejudicadas pelo incêndio.

Escolas, igrejas, centros sociais e esportivos recebem os desabrigados. Nas redes sociais, uma campanha convocou moradores da cidade para arrecadação de roupas, alimentos e outros materiais, com objetivo de ajudar as vítimas. 

Desabrigada, a dona de casa Sandra Marta, de 49 anos, ajudou a salvar o irmão e seus três filhos, além da cunhada e outra irmã. Segundo afirma, as vítimas também teriam sofrido saques durante o incêndio. "Levaram muita coisa. Teve mais saque do que as próprias pessoas pegando suas coisas, mas o importante é que Deus deu a vida para quem conseguiu se salvar", disse.

O presidente Michel Temer colocou os órgãos do governo federal à disposição das autoridades estaduais do Amazonas para apoiar as ações na região. “Minha solidariedade às famílias vítimas do incêndio em Manaus. Falei com o prefeito Arthur Virgílio e coloquei o governo federal à disposição.”

Calamidade pública

Arthur Virgílio e sua mulher e presidente do Fundo Manaus Solidária, Elisabeth Valeiko Ribeiro, estiveram nas primeiras horas desta terça-feira, 18, na área atingida pelo incêndio. "Irei assinar um decreto de calamidade pública para comprar com agilidade, sem a necessidade do burocrático processo de licitação, tudo o que for necessário neste momento para ajudar estas famílias que perderam o pouco que tinham", disse ele.

O prefeito também destacou as doações feitas às famílias. "O que for possível e estiver dentro das nossas forças será feito para mitigar o sofrimento dessas pessoas." 

Elisabeth pediu à sociedade que se mobilize. "Estamos aqui prontos para receber doações de roupas, sapatos, remédios, colchões. Tudo é muito bem-vindo numa situação como essa." / com Agência Brasil

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