Incêndio em SP deixa 2 mortos

Homem caiu do 7.º andar e mulher teve ataque cardíaco; 6 se feriram

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2009 | 00h00

Um incêndio atingiu um prédio residencial no centro de São Paulo, na tarde de ontem, onde moram ao menos 70 famílias. O fogo começou no edifício localizado no número 747 da Rua Barão de Campinas. Um homem de 35 anos morreu ao cair do 7º andar - não se sabe ainda se ele se jogou por desespero ou escorregou tentando fugir das chamas. Outra mulher, de 43 anos, teve um ataque cardíaco e morreu ao chegar ao hospital. Duas crianças e outras quatro mulheres foram levadas para atendimento médico por intoxicação, mas sem gravidade. Segundo o Corpo de Bombeiros, o fogo começou às 12h40. Quando as viaturas chegaram, Paulo Jaílson de Melo, de 35 anos, morador do 71, já estava caído no térreo e não respirava mais. "Estávamos no prédio da frente e vimos o desespero dele", afirma uma das testemunhas do incêndio, a estudante Ligia Makita. "Gritei muito para não pular. Do nada, ele caiu." A irmã da vítima, Ana Maria Pessoa, de 32 anos, contou que Jaílson era enfermeiro, estava desempregado e, no início de agosto, iria mudar-se para Ilhéus (Bahia), onde havia arrumado trabalho. "Meu irmão sofria de pressão alta. Pode ser que ele tenha desmaiado e caído sem querer", contou. "Mas também morria de medo de fogo. Por isso, pode ter se jogado por pânico", disse, aos prantos. Jaílson morava com Fábio Paulina, de 20 anos, que não estava em casa e só ficou sabendo do incêndio às 16 horas, quando chegou. "Conheço ele. Jaílson não pularia." O edifício tem sete andares, com dez apartamentos por pavimento. O fogo começou no apartamento 65, atingiu também o 75 e a fumaça invadiu todas as casas, levando desespero aos moradores. Foi com a ajuda de Jean Vieira, de 32 anos, morador do 75, que outra senhora não teve o mesmo desfecho de Jaílson. "Estava trabalhando em casa, quando escutei a gritaria", contou. "Ainda não sei como cheguei até o telhado. De lá de cima, vi que uma senhora pedia ajuda. Pelos braços, eu consegui puxá-la antes que ela caísse. Já o meu vizinho (Jaílson) não consegui ajudar", lembrou, ainda com fuligem no rosto. Todos que estavam no telhado foram resgatados pelos bombeiros. Um deles era uma mulher de 43 anos, que ao chegar ao solo passou mal. No meio da Barão de Campinas, os paramédicos fizeram massagem cardíaca. Com apoio do helicóptero Águia, ela foi levada à Santa Casa, onde morreu. CRIANÇAS Em cada um dos andares, havia uma história diferente. O lavrador Júlio César Silva, de 36 anos, que mora em Suzano, mas vem toda semana para casa da irmã, por causa de tratamento médico (ele acabou de fazer transplante de medula), estava de malas prontas para voltar para casa quando o incidente aconteceu. Com toalhas molhadas, conseguiu proteger as duas sobrinhas, de 5 e 6 anos, além da filha de 14 anos. "Nasci de novo", dizia ainda atordoado. Na casa de Inácia Vilar, de 66 anos, outros pequenos correram perigo. "Tomo conta de cinco crianças, incluindo um bebê de 7 meses. Por Deus, todos saíram bem." A polícia ainda apura as causas do acidente. Ontem, o prédio inteiro foi interditado pela Prefeitura.

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