Incêndio tira o sono dos moradores da zona sul do Rio

Algumas pessoas estavam revoltadas com a notícia de que o fogo possivelmente tenha sido provocado pela queda de um balão

Talita Figueiredo, de O Estado de S. Paulo,

20 de junho de 2010 | 21h06

Apesar de não ter deixado feridos, o incêndio de hoje tirou o sono de muitos moradores da Lagoa, na zona sul do Rio, que saíram de suas casas de madrugada com medo do fogo e incomodados pela nuvem de fumaça. Alguns estavam revoltados com a notícia de que o fogo possivelmente tenha sido provocado pela queda de um balão. "O Rio é uma grande Mata Atlântica, é um lugar que não pode ter balão. Imagina se caísse numa favela, quanta gente ia morrer?", disse Solange Schvartzer, moradora da Ladeira do Sacopã, na Lagoa. Mais cedo, o prefeito Eduardo Paes afirmou que uma empresa será contratada para, o mais rápido possível, reflorestar e ter essa área recuperada (Leia mais).

 

Ela contou que ficou acordada até as 4 horas, quando saiu de casa com os cachorros por causa da fumaça. Solange mora na Chácara Sacopã, um dos condomínios de alto padrão onde os bombeiros precisaram entrar para usar a rede de água e ter acesso ao morro. Segundo outro morador do mesmo condomínio, que se identificou apenas como Carlos, é frequente a passagem de balões na região. Ele declarou a policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, responsável por apurar as causas do incêndio, ter visto na noite de anteontem um grande balão em cima do Morro dos Cabritos.

 

"Frequentemente vemos balões, que geralmente vêm da zona norte, passam pelo Sumaré e seguem para Copacabana. Ontem, com vento que estava, a tendência era fazer o balão descer".

 

Muitos moradores reclamaram de ardência nos olhos. "Tinha gente com medo, tinha gente revoltada, as emoções eram muitas. A maioria ficou na rua até as 4h, quando o grosso do fogo foi debelado pelos bombeiros", contou.

 

A produtora cultural Mana Pontes, de 55 anos, também acompanhou o combate ao fogo fora de casa. Moradora da parte alta da Rua Vitória Régia, outro acesso ao morro, ela contou ter visto as copas das árvores descerem morro abaixo como bolas de fogo. "O morro adormeceu em chamas e minha casa amanheceu cheia de fuligem. Moro em frente e passei parte da madrugada numa esquina, acompanhando o trabalho dos bombeiros", relatou.

 

Segundo Mana, um morador da Ladeira dos Tabajaras - favela vizinha à sua casa que recebeu uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em janeiro - disse que há pouco tempo ajudou a fazer o reflorestamento de uma parte da mata. "Ele até me disse que não me preocupasse porque fizeram uma previsão anti-fogo, que é uma vala desmatada em torno da área reflorestada, para impedir que o fogo desça. No entanto, via as copas das árvores descerem morro abaixo como bolas de fogo. Hoje, não ouvimos um pássaro cantar pela manhã. Fiquei preocupada com os animais silvestres da área".

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