Incêndios ainda ameaçam a cidade histórica

Construções irregulares e transporte de cargas no centro também prejudicam acervo

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2008 | 00h00

Ameaça ao patrimônio de Ouro Preto, um incêndio de grandes proporções, não abordado no relatório do Icomos, preocupa os técnicos do Iphan. "Isso não foi colocado pela Unesco porque era uma questão específica, mas é uma pendência grande. Algo fundamental para proteção do acervo", constata o diretor do instituto na cidade, Benedito Tadeu de Oliveira.Segundo ele, pouco se avançou desde abril de 2003, quando um incêndio destruiu o antigo Hotel Pilão, um casarão do século 18, no coração da cidade histórica, cujas construções coloniais têm estruturas de madeira. Na época, não havia Corpo de Bombeiros. Após o incêndio, um pelotão foi criado, mas o projeto que previa a instalação de cem hidrantes não avançou e apenas dois estão disponíveis para emergência.Além da ameaça de incêndio, as construções irregulares também são apontadas pelo Iphan como problema recorrente. Atualmente, tramitam mais de 200 ações apresentadas pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal contra intervenções agressivas ao acervo.A circulação de veículos também preocupa. Em três meses, o trânsito de veículos de carga no centro histórico estará proibido, conforme o termo de ajustamento de conduta (TAC), assinado no mês passado entre a prefeitura e o Ministério Público. O acordo estabelece um horário de carga e descarga.A medida, porém, enfrenta resistência de comerciantes. "O comércio tem essa necessidade. Praticamente todos os dias eu recebo entregas, sempre de caminhões. Se não puderem, como vai ser?", questiona Hudson Moreira, de 33 anos, dono de uma lanchonete.O incêndio do casarão e outros episódios posteriores, no entanto, serviram para alertar os moradores, que chegaram a estender panos pretos nas sacadas em sinal de luto. "Ouro Preto deve ser conservada custe o que custar", diz o padre Feliciano da Costa Simões, de 76 anos, pároco da Matriz de Nossa Senhora do Pilar e "porta-voz" das tradições da cidade.

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