Indenizado, marido traído se diz exemplo

Outras pessoas tem de levar casos à Justiça, afirma autor de ação

Gabriela Lessa, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2025 | 00h00

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) condenou anteontem uma auxiliar de escritório a pagar indenização de R$ 15 mil ao ex-marido, identificado apenas como J. Há três anos, ele descobriu que não é o pai biológico da filha mais nova do casal. Os dois foram casados por cinco anos e, segundo J., a mulher pediu a separação 15 dias após o nascimento da menina. Ele conta que entrou com o processo para estimular outros homens ou mulheres que passem pela mesma situação a lutar. "Tem gente que deixa pra lá, que até se mata, ou mata o outro. Mas temos que seguir em frente. Faço isso para outras pessoas aprenderem a levar esses casos à Justiça." "Nós tínhamos uma vida boa, tanto materialmente quanto espiritualmente. A gente ia se mudar para uma cobertura que estava sendo construída. Ninguém entendeu. Parecia coisa de novela", disse J. ao Estado. Foi o pai de J. quem notou que a menina talvez não fosse filha dele. "Ela não tinha nada a ver comigo", contou. J. diz que viajava muito a negócios e que a mulher chegava a ficar até duas semanas sozinha. "Mas quando voltava, eu passava pelo menos dois meses em casa. Não tinha motivo para isso", afirma. Sete meses depois da separação, J. pediu o exame de DNA. Um mês depois, saiu o resultado. Segundo ele, até seus vizinhos e colegas de trabalho sabiam que a filha não era dele. J. tirou seu nome do registro da menina e parou de pagar a pensão. Ele diz que a ex-esposa não sabe quem é o pai verdadeiro da criança. "Ela já está com outro." Depois de descobrir a verdade, J. entrou com a ação na justiça. Ganhou em última instância. Mas ele diz que o dinheiro não paga a humilhação e o sofrimento pelos quais ele passou. "Se quisessem me dar R$ 500 mil para passar por isso de novo, eu não ia querer", afirma. O autor da ação tentou ainda, sem sucesso, conseguir a guarda de seu filho mais velho, hoje com 7 anos. De acordo com ele, o menino foi um dos que mais sofreu com a história. J. afirma que não viu necessidade em pedir um exame de DNA do garoto. "Esse eu tenho certeza que é meu. É coisa de pai", explica. Quanto à menina, disse: "Ela é tão vítima quanto eu."

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