Dida Sampaio/AE-3/8/2011
Dida Sampaio/AE-3/8/2011

''Independência'' do PR facilita discurso populista

Parlamentares terão mais liberdade para tomar posições contrárias aos interesses do Planalto, mas não vão abrir mão dos cargos que detêm no governo

Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2011 | 00h00

A independência bradada pelo PR em relação ao governo Dilma Rousseff deve permitir aos filiados uma postura mais populista em alguns temas sem perder as benesses do poder. Com muitos quadros vítimas da faxina no Ministério dos Transportes, a legenda promete abandonar o alinhamento automático ao Planalto, mas ficar a uma distância suficiente para manter cargos e outros benefícios de ser governo.

Na terça-feira, parlamentares do PR terão um jantar em Brasília para acertar como será a atuação no Congresso a partir de agora.

Ao anunciar a saída do PR do bloco comandado pelo PT no Senado, o líder Magno Malta já deu o tom da nova postura. "Quando você é do bloco, vota tudo o que vem do governo, mesmo fazendo beicinho ou achando ruim. Agora não vai ser mais assim", disse. Os movimentos feitos pelas lideranças tentam criar um discurso de que o apoio a Dilma não é sob qualquer circunstância.

Deputados e senadores do PR terão a partir de agora mais liberdade para tomar posições favoráveis a temas contrários ao Planalto. O líder Lincoln Portela, por exemplo, promete até subir em carro de som na próxima semana durante manifestação de policiais e bombeiros em defesa da chamada PEC 300, proposta que estabelece um piso salarial nacional para a categoria. O governo é contra porque teria de ajudar os Estados a pagar a conta.

O PR "independente" também não pretende mais segurar seus radicais. O ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (RJ), por exemplo, não será mais censurado quando atacar o PT o governo. Durante a crise que derrubou Antonio Palocci da Casa Civil, Garotinho causou constrangimentos ao partido ao vincular todas as suas demandas a ameaças de apoiar investigações contra o ex-ministro.

Cargos. Ao mesmo tempo que promete uma atuação mais distante da cartilha de Dilma, o partido não quer receber o carimbo de oposição. Os parlamentares querem continuar a ter trânsito nos ministérios na condição de aliados e acreditam que esta posição ajuda também na liberação de emendas parlamentares, instrumento importante para a manutenção de bases eleitorais.

Outra preocupação é com apadrinhados que continuam no governo. O líder no Senado, por exemplo, tem o irmão, Maurício Malta, respondendo pela assessoria parlamentar do Dnit. O presidente do PR, Alfredo Nascimento, é padrinho de Afonso Lins, superintendente do Dnit-AM, e Sabá Reis, da Administração das Hidrovias da Amazônia Ocidental. Em São Paulo, o superintendente Ricardo Rossi Madalena também é da cota do PR.

Por isso, a cúpula do partido reafirma a condição do PR de integrante da base de Dilma, ainda que com um "apoio crítico", como definiu Maia.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), minimiza a declaração de independência do aliado. Ele destaca que, mesmo com as reclamações públicas, o PR continua votando com a base. "Até agora não tivemos problema nenhum. Nem no calor dos acontecimentos eles votaram contra o governo." Para Vaccarezza, as insatisfações são contornáveis e o partido continuará dando a mesma sustentação à presidente.

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