Indianos comemoram em SP a festa das luzes, o ano-novo hindu

Casas organizam uma noite especial com pratos elaborados, música e narração de história

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

01 de novembro de 2008 | 00h00

Hoje é um dia especial para a colônia indiana, que se reúne para encerrar os cinco dias de celebração do ano-novo hindu. A data, também conhecida como Festa das Luzes, marca o retorno da deusa Lakshmi (ou Laxmi), símbolo do dinheiro e da prosperidade, para quem os hindus elevam as orações nessa época. As comemorações marcam o retorno de Rama e Sita - reencarnações de Vishnu, deus sustentador do universo, e de Lakshmi, que foi resgatada das mãos do demônio Ravana. Mas os deuses só encontraram o caminho de volta para casa graças ao povo que iluminou a floresta."Na Índia, a festa é linda", diz o indiano Mukesh Chandra, dono do restaurante Govinda, que chegou ao Brasil na década de 70. "Lá, os muros ficam enfeitados com pequenas lamparinas para iluminar o caminho da deusa, que passa deixando dinheiro e prosperidade.""A cultura indiana é pouco divulgada no Brasil. Aqui, a colônia é muito pequena", diz o vice-presidente da Câmara do Comércio Brasil-Índia, Radhakrishin Keshwani. Segundo ele, há cerca de cem famílias indianas na capital; no restante do País, não passam de mil. COMEMORAÇÃOPara reforçar e divulgar hábitos e costumes, os principais restaurantes organizam uma noite especial, que reúne a colônia, mas também é aberta ao público em geral. O cardápio exótico será ainda mais elaborado, com opções de pratos tradicionalmente servidos na Índia durante a festa. Em algumas casas, haverá também espetáculo musical, dança e contadores de história. Tudo para falar sobre a deusa Lakshmi.No Govinda, entre um prato e outro, Lakshmi dá o ar da graça, com suas vestes coloridas e muitas jóias. A deusa, interpretada por Prene Sundari, dançarina da Dharma Cia das Artes, tem quatro braços, dois deles para carregar as flores de lótus. O cardápio será basicamente vegetariano. Os ingressos para a festa custam R$ 77 (tel.: 5092-4816).A celebração do ano-novo virou motivo para uma promoção na loja do Restaurante Ganesh localizado na Praça de Alimentação do Shopping Morumbi, zona sul. Uma estátua de Shiva, entalhada em madeira, de 30 centímetros de altura, por exemplo, sai de R$ 520 por R$ 390. As batas indianas têm 25% de desconto. Custam R$ 39. No Delhi Palace, no Itaim, zona sul, a festança custa menos, R$ 55 (tel.: 3574-0044). Mas também tem música e dança. Hoje a casa trabalha com menu completo: entrada, três pratos principais e uma sobremesa. A festa começa às 19h30. "Pouco depois começamos as celebrações acendendo as velas das mesas para que os clientes façam seus pedidos", diz o gerente Alexandre de Paula Bianco.Num esquema menor e mais familiar, o Tandoor fica no Paraíso, zona sul (tel.: 3885-9470). Comandado pelo casal de indianos Mancha e Lakhi Daswani, o restaurante preparou um festival gastronômico, que vai até domingo. Ao contrário das outras casas, que cobram preço único do menu completo, lá o cliente paga só pelo que consumir do menu especial. Um dos mais tradicionais, o navratan korma, por exemplo, leva ervilhas, cenoura, vagem, pêra, abacaxi e cereja. Numa grande frigideira, é acrescido um molho de iogurte batido com castanha de caju, gengibre, pimenta e cardamomo. O prato sai por R$ 20,75. Geralmente vai à mesa acompanhado de uma espécie de risoto de verduras e nozes. Uma boa pedida é experimentar o naan, pão típico, de massa fina, feito na hora, num forno especial, que fica no subsolo da casa. Trata-se de um forno a carvão, forrado internamente com barro da Índia. Os proprietários garantem que isso dá um sabor especial. No Tandoor, quem pilota o fogão é a mulher, Mancha. "Além do ano-novo, estamos comemorando o aniversário de 15 anos da casa", diz ela. Mancha só percebeu que tinha talento para cozinha depois que passou cinco anos cozinhando em todas as festas que seu marido organizava em casa. "E não eram poucas. Uma hora, eu cansei, e disse que era melhor ele abrir um restaurante." Hoje, enquanto Mancha cozinha, Lakhi circula pelo salão contando histórias de sua terra e da origem dos pratos.

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