''Indicação de cargos é normal'', diz Rodrigues, reeleito

Pela 3.ª vez na presidência da Casa, líder do Centrão diz que participará da gestão

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2009 | 00h00

Eleito para um inédito terceiro mandato na presidência da Câmara Municipal de São Paulo, o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR), de 58 anos, afirmou ontem que a indicação de cargos na gestão Gilberto Kassab (DEM) é normal e necessária para a administração da cidade. Líder de um bloco político com mais de 20 dos 55 parlamentares, o chamado "Centrão", Rodrigues vai administrar orçamento anual de R$ 312 milhões.O cacique do PR foi eleito com o apoio de 52 vereadores. A abstenção dos dois parlamentares do PPS e o abandono de Gilberto Natalini (PSDB) da sessão foram as objeções à reeleição, que também contou com o apoio de 12 tucanos e da bancada do PT, siglas lotadas nos dois cargos mais importantes depois da presidência. Dalton Silvano (PSDB) será o primeiro vice-presidente e Francisco Chagas (PT), o primeiro-secretário. Wadih Mutran (PP) e Milton Leite (DEM) foram mantidos como corregedor e segundo-secretário. O segundo vice-presidente será Paulo Frange (PTB). Desde 2001, quando foi eleito para a primeira legislatura, Rodrigues tem se firmado como ícone de um grupo que apoia os projetos do governo em troca de cargos e favores executados pelas subprefeituras em redutos eleitorais. O presidente da Câmara exerce forte influência sobre a Subprefeitura do Campo Limpo, onde está boa parte de seu eleitorado na zona sul. Em troca de cargos, o Centrão apoiou os governos de Marta Suplicy (PT) e Kassab. Em oito anos, foram raras as vezes em que o Legislativo entrou em confronto com as administrações. Rodrigues é enfático ao garantir sua participação no governo kassabista. "É claro que vamos participar do governo, nós não indicamos o secretário do Trabalho (Marcos Cintra)? Ou você acha que o secretário adjunto, o chefe de gabinete e o coordenador não vão pertencer à nossa sigla partidária? É lógico que vão." Sobre a indicação em funções administrativas nas 31 subprefeituras, Rodrigues também demonstrou que a influência de vereadores será mantida nos órgãos. Ele diz que não existe subprefeito indicado diretamente por vereador, mas admite a composição em outras funções dos órgãos. "Tem de administrar com os vereadores."Condenado na Justiça em outubro a devolver cerca de R$ 30 milhões aos cofres públicos em processo por improbidade administrativa, o presidente não considera constrangedor para São Paulo ter no comando da Câmara um político que pode perder o cargo. Os advogados de Rodrigues conseguiram suspender a execução da pena no Tribunal de Justiça e consideram que não haverá nova decisão nos próximos dois anos. Rodrigues, segundo a Justiça, contratou de forma irregular e sem licitação uma empresa de prestação de serviços quando era presidente da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), em 1992. "A Justiça tarda, mas não falha", repetiu o vereador por quatro vezes. ATRASONatalini, o vereador mais próximo do governador José Serra (PSDB) e líder dos tucanos até o dia 19 de dezembro, descumpriu acordo com sua bancada e não participou das votações para a Mesa Diretora. "O Centrão representa o atraso na política e foi o responsável por desmoralizar a imagem da Câmara. Não posso concordar com a eleição de um bloco de centro-direita sem nenhuma ideologia, que apoia os governos sem nenhuma convicção. Eles sempre são amigos de quem está no poder", justificou.Cláudio Fonseca e Milton Ferreira, da bancada do PPS, também se mostraram contra a reeleição de Rodrigues. "Deveria ser respeitado o princípio da proporcionalidade. A bancada do PSDB (13 vereadores) deveria fazer o presidente", disse Fonseca. "As conversas na Casa deveriam ser mais transparentes."

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