André Dusek/AE-29/7/2011
André Dusek/AE-29/7/2011

Indicação de técnico democratizaria tribunal, diz auditor

Apoiado pelo Movimento Ficha Limpa, engenheiro se lançou candidato como representante da sociedade civil no TCU

Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2011 | 00h00

ENTREVISTA

Rosendo Severo, auditor do TCU

Em uma tentativa de despolitizar o quadro de ministros do TCU, auditores do órgão lançaram um candidato da categoria para a vaga que será aberta com a aposentadoria do ministro Ubiratan Aguiar. Depois de uma eleição interna, a União dos Auditores Federais de Controle Externo (Auditar) escolheu o engenheiro Rosendo Severo - funcionário concursado há 21 anos. Para tentar emplacar a candidatura de Severo, a Auditar lançou a campanha Ministro Cidadão, colocando o auditor como "representante da sociedade civil no TCU". O movimento já conseguiu o apoio de entidades como a OAB, Instituto Ethos e Movimento Ficha Limpa.

Em entrevista ao Estado, Severo evita criticar o TCU, mas afirma que a composição política impede "mais rigor" na punição das irregularidades apontadas pelo órgão.

Por que decidiu se candidatar?

Não foi um processo iniciado por mim. Foi um processo bastante democrático, em que todos os auditores do TCU puderam indicar nomes para concorrer. Eu estava de férias e não acompanhei o processo. Quando voltei, fiquei sabendo que meu nome era um dos concorrentes. No final do ano passado, o ministro Ubiratan manifestou a vontade de que sua vaga viesse a ser preenchida desta forma. A Auditar, com base em um anseio antigo da categoria, resolveu lançar esse processo que culminou com a escolha do meu nome.

O sr. julga ser o melhor representante da sociedade civil para o cargo?

Nós, auditores do TCU, percebemos a necessidade de um aperfeiçoamento no quadro de ministros, no sentido de torná-lo mais plural. Hoje, temos uma composição majoritariamente de ex-parlamentares. Considerando que as indicações cabem dois terços à Câmara e ao Senado e um terço ao presidente da República, via de regra ao menos seis ou sete ministros têm origem política. Nós entendemos que esta composição pode ser melhorada com a participação de representantes de outros setores da sociedade. O resultado que encontramos para democratizar o pleno do tribunal foi a indicação de alguém técnico, sem qualquer vínculo partidário. Tenho uma trajetória de trabalho sério, de coordenação e supervisão de equipes, que fizeram com que os colegas reconhecessem em mim um possível bom candidato.

A campanha para sua indicação inclui site e anúncios em emissoras de rádio. Quem financia o projeto?

A Auditar. Foi ela quem iniciou esse processo, mas temos recebido o apoio de várias entidades representativas da sociedade, como a OAB, o Instituto Ethos e o Movimento Ficha Limpa.

O sr. vê um excesso de politização no pleno do TCU?

O tribunal tem agido de forma técnica - até porque, diante de um parecer técnico bem fundamentado, não há como fugir. O que ocorre, por vezes, é um menor rigor, até por conta desta interpretação mais política.

Já conseguiu o apoio de algum partido para a indicação?

Esta é nossa luta atualmente. Estamos em busca de uma liderança que compreenda o momento que estamos vivendo e a importância do projeto e que indique nosso nome. Mas ainda não conseguimos.

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