Indicado para ministério, França fica com Alckmin

Além de incorporar o PSB, que terá dois ministros no governo Dilma, tucano convida Bruno Covas e Edson Giriboni, do PV

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2010 | 00h00

O governador eleito Geraldo Alckmin confirmou ontem mais três secretários de seu governo - o deputado estadual Bruno Covas (PSDB) para o Meio Ambiente, Edson Giriboni (PV) para Saneamento e Recursos Hídricos e o ex-prefeito de São Vicente Márcio França (PSB) para o Turismo. A manobra amplia o leque de apoios ao futuro governo tucano, ao incorporar os verdes e o PSB. Com 19 nomes definidos, Alckmin prometeu anunciar os oito que faltam em dois dias. "Se não amanhã, na quinta", disse ele, na entrevista.

A indicação de França, antecipada pelo Estado, recebeu antes, segundo o próprio convidado, aval da direção do PSB e de dois governadores, Eduardo Gomes (PE) e Cid Gomes (CE). Alckmin o convidou apesar de os socialistas estarem comprometidos desde o início da campanha com a candidata Dilma Rousseff e de ocuparem dois ministérios, da Integração Nacional e de Portos. O próprio França estava cotado para o Ministério dos Portos e Aeroportos, que acabou não saindo do papel.

"Não acho contraditório. Acho, na verdade, honroso. A eleição acabou em outubro e não existe um terceiro turno", explicou França, pouco depois de sua indicação. Seu principal desafio, antecipou, será organizar a secretaria, que foi desmembrada por Alckmin da antiga Secretaria de Esportes e Turismo. Uma de suas prioridades será a criação de um novo centro de convenções na capital paulista.

Licenças ambientais. Deputado mais votado do Estado, com 239 mil votos, Bruno Covas (PSDB) negou que sua indicação seja uma forma de apaziguar os interesses do partido na Assembleia, onde ele já fazia articulações para ser o presidente. "Coloquei para a bancada minha intenção de disputar a presidência da Casa, mas nesse momento recebi o convite para a Secretaria do Meio Ambiente. Em nenhum momento a questão da Assembleia foi envolvida, com o governador ou com o secretário da Casa Civil, Sidney Beraldo", afirmou.

Neto do ex-governador Mário Covas, morto em 2001, o novo secretário já avisou que sua primeira meta no cargo é dar agilidade à secretaria, que tem sido criticada pela demora em conceder licenças ambientais. "A legislação já diz o que pode e o que não pode. Cabe à secretaria dar o licenciamento quando deve ser dado", avisou.

Sabesp. A permanência ou não do presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, "será decisão do governador eleito", avisou ontem mesmo o futuro secretário de Saneamento e Recursos Hídricos. Giriboni destacou que, embora a diretoria da empresa seja uma questão técnica, a Sabesp "tem regras próprias, é uma empresa de economia mista, tem ações na Bolsa e é uma empresa aberta que atua não apenas em São Paulo".

O secretário negou que sua indicação tenha sido "uma compensação" ao PV por ter ficado sem o Meio Ambiente. "Ele garantiu que "haverá um entrosamento" entre PV e as secretarias de Meio Ambiente e Energia.

Alckmin não decidiu ainda se manterá a Secretaria de Comunicações ou a reduzirá a uma coordenadoria da Casa Civil. Falta escolher os secretários de Cultura, Agricultura, Energia, Assistência e Desenvolvimento Social, Gestão Pública, Esporte e Desenvolvimento Metropolitano.

Cunhado investigado. O governador não quis comentar, no encontro, a informação de que a polícia fez anteontem uma busca na casa de seu cunhado, o empresário Paulo Ribeiro. "Olha, nenhum comentário a fazer", reagiu Alckmin, ante a notícia de que Ribeiro - que é irmão de sua mulher, Lu - faria parte de um cartel acusado de faturamento de merenda escolar em contratos com várias prefeituras do País.

O processo em que Ribeiro aparece investigado corre em segredo de Justiça. Segundo o Ministério Público, várias empresas pagariam, em troca dos contratos, entre 5% e 15% dos valores recebidos. As propinas chegariam a R$ 280 milhões.

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