Indicado tem fama de conciliador, mas não admite insubordinações

Leandro Daiello Coimbra, FUTURO DIRETOR-GERAL DA PF

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2010 | 00h00

Leandro Daiello Coimbra estava quase de malas prontas para Roma, onde assumiria o posto de adido da Polícia Federal. Pesou mais a indicação do ministro José Eduardo Martins Cardozo (Justiça), que o entrevistou há duas semanas, em Brasília. "Polícia não tem segredo, é seguir o que está na lei e na Constituição", pondera Daiello, que por 2 anos e 8 meses dirigiu a PF em São Paulo, a maior e mais importante superintendência regional da corporação.

Ele tem a fama de conciliador, mas não admite insubordinações. Metódico, pautou a sua gestão em São Paulo pela disciplina e exigência de cumprimento de metas. Não abre mão da investigação de campo como o melhor caminho para a obtenção de provas no inquérito - método que valorizou nos tempos em que atuou na fronteira com o Uruguai.

Daiello chegou à PF de São Paulo em meio à fogueira da Santa Tereza e da Satiagraha - duas delicadas operações de combate a crimes financeiros envolvendo políticos, empresários e banqueiros. Era abril de 2008. Hábil, contornou crise interna decorrente da missão que levou à prisão Daniel Dantas, do Opportunity. Evitou atritos.

Também foi estratégico no relacionamento com o Judiciário e o Ministério Público.

Sob seu comando, a PF desencadeou outra operação marcante, a Avalanche, que capturou o empresário Marcos Valério, réu no caso do mensalão.

Daiello foi uma aposta do delegado Luiz Fernando Corrêa, que promoveu a mais completa e profunda reforma na instituição. Logo que assumiu a cúpula da PF de São Paulo, Daiello revelou desconforto com os transtornos na emissão de passaportes, grande desafio sob sua responsabilidade. São emitidos 1,5 mil documentos por dia na superintendência, explosão de 38% na demanda em 2010 - esta a causa principal do problema. Tornou-se um obstinado, mandou abrir novos postos de atendimento.

Hábitos simples, a cuia do chimarrão sempre à mão, ele tem uma outra paixão: o Grêmio de Porto Alegre. Por esses dias anda muito feliz com o modesto terceiro lugar que o rival Internacional conquistou no Mundial de Clubes, no início de dezembro.

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