Índice de insatisfação com saúde é alto no País, aponta pesquisa

Conclusão do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento teve como base entrevistas[br]com 2020 pessoas

, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2010 | 00h00

Pesquisa divulgada ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostra que o brasileiro "reprova" a situação da saúde no País. Numa escala de zero a 1, a nota foi 0,45, o pior índice dos três avaliados pelo organismo da ONU. Tempo de espera por um atendimento, grau de interesse dos médicos pelos pacientes e a linguagem usada pelos profissionais foram tema avaliados.

De acordo com o Índice de Valores Humanos (IVH), construído a partir de entrevistas com 2020 pessoas de todas as regiões, a saúde registra um desempenho mais baixo do que educação (índice de 0,54) e situação do trabalho (0,79).

Em vez de se concentrar em dados como expectativa de vida ao nascer e taxa de alfabetização, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - que classifica todos os países membros das Nações Unidas - o novo indicador foi elaborado a partir das experiências da população como tempo de espera para atendimento médico ou situações de prazer e sofrimento no trabalho.

"O IDH mede resultados, indicadores. O IVH, o impacto das políticas na população", diz o coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano do Brasil 2009/2010, Flávio Comim. Segundo ele, que é economista-chefe do PNUD, o IVH foi feito no Brasil como projeto piloto para uma nova metodologia que inclua uma maneira mais humana de medir o desenvolvimento.

Os resultados apresentados, diz ele, afastam a ideia de que o brasileiro é conformado por natureza. "Há índice de insatisfação bastante representativo." Na comparação por regiões, o Sul e o Sudeste apresentaram o maior IVH, ambas com 0,62, acima da média do Brasil, de 0,59. A região Norte foi a que apresentou o menor índice, com 0,50.

O IVH relacionado ao trabalho foi calculado a partir da avaliação de 17 experiências relacionadas ao prazer no trabalho e outras 15 ligadas ao sofrimento. No caso da educação, o subíndice levou em conta os valores das famílias, alunos e professores.

O Ministério da Saúde contestou os resultados ao afirmar que o IVH não é um índice de avaliação de políticas públicas porque não distingue a assistência realizada pelo sistema privado da realizada pelo sistema público.

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