Índice de poluente pode crescer até 74% em 2020

Estudo alerta que, se nada for feito, ar de São Paulo será tão irrespirável quanto o de Cubatão

Rodrigo Brancatelli e Fabiane Leite, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2016 | 00h00

Embora a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) costume informar que 500 veículos entram em circulação em São Paulo por dia, o número é bem maior. Tomando por base dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de janeiro a julho, são emplacados em média 635 carros e 235 motocicletas por dia. A frota cresce oito vezes mais do que a população. O que não só causa mais trânsito (e stress). Projeções científicas indicam que, até 2020, a concentração de alguns poluentes pode aumentar mais de 70%. Em um ano, só os novos veículos vão emitir 79.296 toneladas de monóxido de carbono, 20.860 t de hidrocarbonetos, 5.940 t de óxidos de nitrogênio, 323 t de óxidos de enxofre e 46 t de material particulado. "É a certeza de que, se não investirmos em mudanças de comportamento, o futuro será muito ruim", diz o epidemiologista Alfésio Luís Ferreira Braga, do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Um único carro novo vai lançar em 12 meses até 190 quilos de monóxido de carbono, 55 kg de hidrocarbonetos e 13 kg de óxidos de nitrogênio. Os números das motos são ainda piores, porque elas rodam em média 125 quilômetros por dia, ante 60 km dos carros. Em 12 meses, emitem 424 kg de monóxido de carbono, 96 kg de hidrocarbonetos e 35 kg de óxidos de nitrogênio. "Esses poluentes vão direto para os pulmões o tempo todo", diz. "Boa parte segue rumo à corrente sanguínea, espalhando-se em cada célula do corpo." Um estudo do Instituto de Climatologia da USP mostra que, até 2020, se a frota continuar nessa escalada e não forem adotadas políticas públicas contra a poluição veicular, os níveis de ozônio vão crescer 74%. Um dos poluentes mais perigosos, ele é produzido indiretamente pelos carros - óxidos de nitrogênio expelidos pelos escapamentos se transformam em ozônio na presença da luz solar. Pela projeção, o dióxido de nitrogênio, que aumenta a sensibilidade à asma e à bronquite, subirá 72,6%. E as partículas inaláveis, que causam alergias, 72%. Trocando em miúdos, se nada for feito, São Paulo vai virar uma Vila Parisi - área industrial de Cubatão conhecida como Vale da Morte.

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