Indiciada grávida baleada como suspeita de assalto

Segundo gravação apresentada por defesa de assaltante, mulher planejara pedir R$ 150 mil de indenização

EVANDRO FADEL, Agencia Estado

13 Setembro 2007 | 17h48

A funcionária de um posto de combustível de Curitiba que, grávida de 17 semanas, recebeu um tiro na barriga durante assalto em 14 de maio, foi indiciada nesta quinta-feira, 13, por suposta participação no roubo. O delegado de Furtos e Roubos de Curitiba, Rubens Recalcatti, anunciou que Patrícia Cabral da Silva deixou de ser vítima para ser suspeita em razão de uma gravação em que supostamente admite o crime. Ela é acusada de ter elaborado todo o plano, inclusive o tiro, que serviria para pleitear uma indenização de R$ 150 mil. Os cerca de R$ 60 mil roubados de um cofre seriam divididos entre seus três supostos sócios que concretizaram o assalto. A confirmação da suspeita depende de perícias em uma fita cassete, que teria sido gravada por Luiz Carlos Cândido, foragido e que é um dos acusados do roubo. A fita foi apresentada à polícia pelo advogado José Carlos Veiga, que defende Sidimar Tiago Oliveira, acusado de ter dado o tiro. Ele se entregou à Justiça na semana passada. O outro acusado é Márcio Leandro Rezende, que também está foragido. Segundo Recalcatti, o Instituto de Criminalística do Paraná está examinando se não houve montagem na fita e fazendo a degravação oficial. Depois, deve ser enviada para um instituto fora do Paraná para confrontação de vozes. No entanto, a partir de uma degravação feita pelo próprio delegado, ele encontrou indícios de culpabilidade. "Ela passa de vítima a ré, agora já está indiciada", acentuou Recalcatti. Se comprovada a autenticidade da fita, o delegado não descarta um pedido de prisão. Posteriormente, a aceitação da fita como prova dependerá do Ministério Público e da Justiça. Segundo Veiga, a gravação foi divulgada agora porque esperavam que ela levasse a gravidez até o final. Havia muito risco, já que a bala continuava alojada no abdome. O parto foi feito no dia 20 de agosto e a criança nasceu saudável. Patrícia disse apenas que considera um "absurdo" a acusação que está sendo feita contra ela. "A única coisa que tenho a dizer é que todos os esclarecimentos que eu tenho que dar eu já disse para as autoridades policiais", desconversou. "Eu vou explicar isso à polícia. Não tenho nada a declarar a vocês." Ela negou participação no crime.   Trecho da gravação apresentado por advogado:   Assaltante - O que mais está repercutindo é esse negócio de tiro, que você pediu que desse pra você.   Voz de mulher - Ó, escute uma coisa. Não se preocupe.   Assaltante - Não se preocupe?   Voz de mulher - Estou falando pra não se preocupar. Não tem o que se preocupar.   Em outro trecho, os dois falam da razão que teria motivado o disparo. Uma indenização que Patrícia cobraria da loja em que trabalhava.   Assaltante - E a indenização? E a indenização? Você vai ganhar alguma coisa?   Voz de mulher - R$ 150 mil eu vou pedir.   Assaltante - Você vai pedir R$ 150 mil de indenização?   Voz de mulher - (confirmando) A-han.

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