Dida Sampaio/AE - 28/03/2007
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Indiciado por homicídio, proprietário da Gol segue foragido

Advogados de Nenê Constantino negociam apresentação espontânea; empresário estaria em São Paulo

22 de maio de 2009 | 11h18

O proprietário da companhia aérea Gol, Nenê Constantino, segue foragido e é procurado Polícia Civil do Distrito Federal. O empresário é réu em processo por homicídio e teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça na quinta-feira, 21.

 

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Constantino não foi localizado em seus endereços comercial e residencial em Brasília e seus advogados de defesa, que também não se pronunciaram sobre o caso, negociam uma apresentação espontânea. Caso o empresário não se apresente à Justiça, a Polícia Civil de São Paulo poderá ser acionada. Acredita-se que ele possa estar em São Paulo sob proteção de amigos.

 

A acusação sobre Constantino é de ser o mandante do assassinato do líder comunitário Márcio Leonardo de Sousa Brito, executado com três tiros em outubro de 2001. Brito liderava um grupo de cerca de cem pessoas que ocupava o terreno em volta da garagem da viação Planeta, pertencente ao empresário, na cidade satélite de Taguatinga, a 25 quilômetros de Brasília.

 

Segundo investigações da polícia, João Alcides Miranda e Vanderlei Batista Silva, dois empregados de Constantino e indiciados como co-autores do crime, contrataram um pistoleiro goiano, até agora não capturado, para assassinar o líder como forma de intimidar os demais ocupantes da área. De acordo com a apuração policial, o empresário ainda ameaçou de morte o líder comunitário, que foi agredido e teve seu barraco incendiado.

 

A acusação foi proferida pela Justiça no início de dezembro do ano passado. No fim do mesmo mês, Constantino também foi indiciado por ser mandante de outro homicídio e tentativa de assassinato. As vítimas, dessa vez, foram o caminhoneiro Tarcísio Gomes Ferreira, ex-motorista de uma de suas empresas, e José Amorim dos Reis, que o acompanhava e também foi baleado, mas sobreviveu. Segundo os exames de balística feitos pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil, as balas que atingiram Ferreira e Reis saíram da mesma arma que matou Brito em fevereiro de 2001.

 

De acordo com o delegado Luiz Julião Ribeiro, chefe da Divisão de Investigação de Crimes contra a Vida, Constantino teria usado seu poder econômico e político para ameaçar testemunhas e obstruir provas. "Sua atuação nociva ao trabalho da Justiça e da polícia está fartamente caracterizada", afirmou. A prisão preventiva, portanto, teria o objetivo de garantir a instrução do processo.

 

Sobre o indiciamento ocorrido no ano passado, Constantino, por meio de nota, disse então que repelia "de forma veemente" o que chamou de "injusta e inverídica acusação". O empresário garante que o inquérito não contém nenhum indício que possa sustentar "a absurda conclusão a que chegou a autoridade policial". Ele diz também que vai demonstrar sua inocência, "de forma incontroversa", ao longo do processo.

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