Indignação e dor marcam enterro de faxineiro

O corpo do faxineiro Rogério Santos Dias foi sepultado às 10 horas desta sexta, 14, no Cemitério de Itaquera, na zona leste da São Paulo. "Policiais fazem de nós lixo", desabafou Joana Dias, tia da vítima. Ela foi aplaudida por cerca de 300 pessoas que não paravam um minuto de rezar e cantar músicas católicas. Aos 33 anos e com uma ficha criminal limpa, Dias foi baleado na madrugada de quinta-feira, durante uma perseguição realizada por policiais militares. A morte ocorreu a poucos metros da casa da sogra, em Cidade A. E. Carvalho. Pouco antes da vítima ser baleada, PMs seguiam um Escort cinza escuro, sem queixa de roubo. Na primeira versão oficial, o tenente coronel Ricardo Ferreira, do 39º Batalhão, relatou que os policiais envolvidos na morte do faxineiro afirmaram que Dias estava no Escort e desceu atirando.A família negou essa versão desde o primeiro momento. Ontem, a própria Corregedoria da PM informou ter convicção de que o faxineiro foi morto por uma bala perdida. O projétil foi enviado ao Instituto de Criminalística (IC) para confronto balístico, que vai determinar de qual arma partiu o disparo.O pai do faxineiro, Aparecido Dias, não compareceu ao enterro, por causa de problemas de pressão alta. Dois irmãos de Dias, Ricardo e Ronaldo, acompanharam a cerimônia. Ricardo chorava muito e lembrou que o irmão tinha medo da violência e pretendia ir morar em Dourado, no interior do Estado. "Era o sonho da vida dele. Ainda mais agora que também estava feliz por ter comprado seu carro novo."Nitidamente abalado, Guilherme, de 10 anos, filho do faxineiro, ficou o tempo todo ao lado da mãe, a auxiliar de enfermagem Vanda Barbosa Silva, de 30. Os dois não saíram de perto do caixão até o sepultamento.

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