Índios acampam em Ipanema, no Posto 9

Uma nova tribo se instalou nesta quarta-feira no Posto 9 de Ipanema e nas areias do Aterro do Flamengo. Desta vez, não era a turma do apitaço, aquele pessoal que usa um apito para avisar aos desavisados que a polícia está na área, nem os hippies dos anos 70, nem as patricinhas locais. Eram índios mesmo.Eles estão no Rio para participar do evento Rito de Passagem, em que apresentam os rituais de suas aldeias, e aproveitaram para conhecer o mar. A índia xavante Wa?utomomrosi?õ, de 35 anos, surpreendeu-se com as ondas e com a água salgada.?Os homens falavam que o mar era muito grande, mas agora eu vi pelos meus olhos. Dá medo e assusta. Não dá nem para imaginar que ele tem fim?, disse a índia.Wa?utomomrosi?õ nunca havia saído de sua aldeia antes, no Mato Grosso. Ela disse ter ficado espantada com a quantidade de aviões que cruza o céu da cidade. A índia chegou ao Rio de ônibus. ?De avião eu não vinha. Não tenho coragem?, disse, rindo.Os homens estavam mais acostumados à praia. Já tinham visto o mar em outras visitas ao Rio, para edições anteriores do Rito de Passagem. O kaxinawá Leopardo Yawa Bama, de 19 anos, já visitou até praias do Rio Grande do Norte, mas ficou encantado com Ipanema. ?Na mata não tem praia assim. É só rio?, disse Leopardo.À tarde, ele assistiu ao pôr-do-sol no Aterro do Flamengo, tendo o Pão de Açúcar ao fundo. Seis povos indígenas se apresentam no fim de semana nos jardins do Museu da República.?Esse evento serve para os brancos aprenderem que os índios não são todos iguais. Cada povo tem sua cultura?, ensinou o xavante Paulo Supretaprã, de 42 anos. Nesta quinta-feira, o grupo visita o Piscinão de Ramos e aproveita para jogar uma partida de futebol.

Agencia Estado,

10 de abril de 2002 | 19h36

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.