Índios cinta-larga afirmam que morte de garimpeiros foi aviso

Os principais líderes da tribo cinta-larga, da reserva do Roosevelt, no interior de Rondônia, afirmaram que o massacre de 29 garimpeiros na região foi apenas ?um aviso? do que pode ocorrer na área. Segundo confirmou o cacique Pio Cinta-Larga, as mortes aconteceram pelo fato de os mineradores não terem obedecido a ordem de não entrar na reserva. ?Isso foi um aviso, porque os guerreiros (índios) estão cansados de tirar o pessoal (garimpeiros) do garimpo proibido?, disse Pio em entrevista. ?Os próprios garimpeiros ficamteimando, então, agora, foi o aviso que eles (os guerreiros) deram?. Pio defendeu a liberação da garimpagem apenas para os índios, mas ele próprio, junto com outros três líderes da tribo, estão sendo processados por formação de quadrilha e extração ilegal de minério. Os índios praticamente confirmaram o que a Polícia Federal já sabia, mas não descreveram como ocorreram as mortes. Segundo Pio, osgarimpeiros foram avisados que não poderiam mais entrar na reserva. Os 29 mortos estavam entre os mais de cem mineradores que extraiam diamantes na área chamada Grota do Sossego. ?Nós não queremos que eles invadam mais. O pessoal entra na área sabendo que é proibido?, afirma o cacique, considerado umas das principais lideranças do Roosevelt.Pio Cinta-Larga será um dos índios que a Polícia Federal irá chamar para depor, provavelmente só depois de sobreviventes serem ouvidos, o que acontecerá na próxima semana. ?Antes é necessário acabar com o clima de tensão existentes na área. A seguir, será iniciada a fase de depoimentos?, afirma o delegado federal mauro Spósito, coordenador-geral de operações especiais de fronteira da PF e responsável pelas investigações. O cacique cinta-larga já responde a quatro processos na Justiça Federal de Rondônia e já foi indiciado em inquéritos na Polícia Federal, onde é acusado de ligação com o empresário Marcos Glikas, preso em Porto Velho por contrabando de diamantes. No inquérito, Pio e os caciques Raimundo, Oita e João Bravo são citados como responsáveis pelas transações com empresário, que seria o líder de uma grande organização no País. Outro cacique, Dirceu Cinta-Larga, afirmou que a Fundação Nacional do Índio não tem culpa pelas mortes de garimpeiros no Roosevelt. ?A Funainão tem culpa, pois foram os próprios índios que fizeram esse serviço (as mortes). A Funai não tem culpa?, disse Dirceu. O relato dele, apesar de não detalhar como aconteceu o massacre, coincide com o depoimento do coordenador da força tarefa do governo na região, Walter Blós. Segundo ele, os índios foram provocados antes de matar os mineradores. Dez dos 29 corpos dos garimpeiros assassinados na semana santa foram liberadaos no Instituto Médico Legal (IML) e seriam levados para espigão D´Oeste, onde seriam velados. Para evitar problemas de segurança, o governo do Estado enviou cerca de 200 policiais militares para garantir a tranquilidade na cidade, onde até policiais federais estão sendo hostilizados. Os demais corpos deverão ser reconhecidos por exames de DNA, segundo o IML. Na região do garimpo Roosevelt, cerca de 400 homens da PF, PM e outros orgãos federais e estaduais continuam realizando barreiras para evitar entrada e saida das terras indígenas.

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