Índios do MT fazem mobilização para tentar pressionar Dilma

Caciques e ONGs criticam construção de usina, pedem reunião com a presidente eleita e reivindicam demarcação de terras

Fátima Lessa, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2010 | 00h00

Lideranças dos índios de Mato Grosso prometem não dar trégua para presidente eleita, Dilma Rousseff, e dizem que tão logo ela assuma haverá mobilização para garantir "os interesses dos índios". No Estado, vivem 52 mil índios de 45 etnias.

Além de reivindicações sobre demarcação de terras, educação e saúde das populações indígenas, outro assunto que incomoda os índios de Mato Grosso é a construção da Usina de Belo Monte, obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no Rio Xingu. O cacique Raoni Txcurramãe disse que tentará marcar um encontro com Dilma. Para ele, é urgente a "questão da Belo Monte". Ele espera que haja avanços nos direitos indígenas e que a Funai seja fortalecida.

O cacique Megaron Txcurramãe, porém, diz que a Funai ficará ainda mais enfraquecida. "Vai acabar com nossa tutela", afirma.

O coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em Mato Grosso, Gilberto Vieira, disse que as perspectivas não são animadoras. Além da "preocupação" com o fato de Dilma ser uma das idealizadoras do PAC, Vieira reclama que há outras obras, previstas nos rios Juruena e Aripuanã, que não consideram as populações indígenas.

Ele também critica a paralisação no processo de demarcação de terras. "Nos últimos anos não aconteceu nenhuma demarcação." Ele cita o caso do território dos povos Myky, em Brasnorte (a 562 km de Cuiabá), cujo processo está parado desde 2008.

Outra área que ainda aguarda estudo para que seja reconhecida é a Terra Indígena Kapot Nhinore, às margens do Rio Xingu, no município de Confresa (737 km de Cuiabá).

A coordenadora técnica da Operação Amazônia Nativa (OPAN), Lola Campos Rebollar,disse que os povos indígenas e entidades indigenistas de Mato Grosso "estão atentos ao novo momento político". Ela também mostra preocupação "sobretudo com o zoneamento aprovado pela Assembleia Legislativa" que agora segue para sanção do governador. Com relação às hidrelétricas previstas para a Bacia do Rio teles Pires, ela disse que as organizações esperam ampliar "diálogo da sociedade com os grandes empreendimentos".

Antonia Melo, coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre, disse que as lideranças representativas das entidades querem marcar uma reunião com a presidente eleita. "Nossa intenção é manter o diálogo com o governo federal", afirmou.

O movimento é constituído por mais de 250 organizações que se opõem à construção da Usina Belo Monte. "Com o governo Lula tudo que ele se comprometeu numa audiência não foi cumprida", disse Antonia Melo.

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