Índios estão confinados há um mês em MS

Grupo teria sido cercado por homens armados em uma fazenda na fronteira com o Paraguai

João Naves de Oliveira ESPECIAL PARA O ESTADO CAMPO GRANDE, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

Um grupo de 150 índios da etnia guarani-caiuá está confinado, sob a vigilância de homens armados, em uma área da Fazenda São Luiz, em Mato Grosso do Sul, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

"A tribo não pode nem mesmo buscar água para beber. Existem mulheres e crianças menores de 10 anos, passando fome e necessitando de cuidados médicos", afirma o coordenador do Cimi, Égon Dionísio Reck.

A propriedade rural fica no município de Paranhos, um dos mais pobres do Estado, na divisa com o Paraguai, a 470 quilômetros de Campo Grande. "Eles estão acampados em uma mata, próximo de uma estrada de terra batida, tortuosa e estreita. São diuturnamente intimidados pelos capangas do fazendeiro, que disparam seguidos tiros para o alto, principalmente durante a noite", diz o coordenador.

No dia 19 de agosto, 40 índios foram até a fazenda reivindicar o corpo de um membro da tribo, que teria morrido durante conflitos com empregados do local. A vítima, Rolindo Vera, estava acompanhada por Genivaldo Vera. O corpo de Genivaldo foi encontrado em um rio das proximidades da fazenda, mas Rolindo não foi localizado.

Fazendeiro. O proprietário da Fazenda São Luiz, Fermino Escobar, nega o confinamento. "Os índios estão armados com arco e flechas, acampados em um lugar por onde passam os empregados e os bovinos. Desconheço qualquer pressão sobre eles", afirma. Ele diz que os índios querem a sua propriedade.

Funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), no entanto, denunciaram que já foram intimidados, para não se aproximarem do acampamento indígena.

Ao todo os índios querem recuperar pelo menos 600 mil hectares considerados terras indígenas, em 39 fazendas da região.

Segundo o Cimi, o Estado de Mato Grosso do Sul abriga algumas das mais pobres áreas de população indígena no País. "São bolsões de pobreza cercados por grandes plantações de soja e cana-de-açúcar e fazendas de criação de animais, onde a vida é extremamente difícil devido às péssimas condições de saúde na área", afirma o conselho.

Tensão

O Estado de Mato Grosso do Sul é o que registra mais conflitos indígenas no País. Os caiuás reivindicam áreas que teriam pertencido a seus antepassados e hoje são ocupadas por fazendas.

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