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Indonésia chama países de condenados à morte para reunião

Praxe é que governos sejam convocados sobre execução de seus cidadãos 72 horas antes; brasileiro está no grupo de condenados

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

24 de abril de 2015 | 20h19


BRASÍLIA - O governo da Indonésia convocou o representante da embaixada do Brasil naquele país, juntamente com os diplomatas de todos os países que têm cidadãos no corredor da morte, para comparecerem a uma reunião, neste sábado, às 12 horas, hora local, na prisão de Nusakambangan, em Cilacap, a 400km de Jacarta, para serem informados sobre os próximos passos a serem adotados em relação aos condenados. 

O paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte, de 42 anos, está preso justamente em Nusakambangan, aguardando decisão do governo da Indonésia sobre a data da sua execução. Embora os indonésios não tenham antecipado qual o assunto da reunião deste sábado, a praxe é que os governos sejam convocados para tomarem conhecimento da execução de seus cidadãos 72 horas antes de que ela ocorra. 

Em mais uma tentativa de evitar a morte de Rodrigo Gularte, o encarregado de representante da Indonésia no Brasil foi chamado ao Itamaraty, no final da tarde desta sexta-feira, para ouvir um novo pedido de clemência. O embaixador Carlos Alberto Simas Magalhães, subsecretário-geral da comunidade brasileira no exterior, disse ao ministro-conselheiro da Indonésia Rizki Safary, que embora o governo brasileiro não desconsidere a gravidade do crime cometido por Gularte e respeite a legislação local, apelava para que ele não fosse fuzilado, por "razões humanitárias", já que ele foi diagnosticado com esquizofrenia.

As relações entre Brasil e Indonésia estão estremecidas desde a execução do brasileiro Marco Archer Moreira, fuzilado em 18 de janeiro, condenado por tentar entrar na Indonésia com 13 quilos de cocaína, escondidos nos tubos de uma asa delta, em 2004. Em represália à morte de Archer, a presidente Dilma se recusou a receber as credenciais do novo embaixador indonésio no Brasil, Toto Riyanto, em 20 de fevereiro, e ele precisou retornar à Jacarta. Por isso hoje, o principal representante indonésio no Brasil é um ministro-conselheiro e não o embaixador.

Além da conversa com Rizki Safary, no Itamaraty, nesta sexta, o embaixador do Brasil na Indonésia foi ao Ministério das Relações Exteriores de lá para reiterar o mesmo pedido de clemência. Enquanto isso, o governo brasileiro continua prestando assistência psicológica a Rodrigo Gularte e sua família, que também está naquele país.

Anteriormente, para tentar evitar a execução de brasileiros, o governo Dilma procurou as representações dos outros países, com condenados na mesma situação, para que todos se mobilizassem para que não ocorressem as mortes. Apesar da expectativa de que os condenados possam ser mortos até 72 horas depois do comunicado aos diplomatas, que estarão representando o grupo de pelo menos dez prisioneiros por tráfico de drogas, nenhuma data ou lista de nomes foi anunciada. Além do Brasil, a informação disponível era que estavam convocados para este mesmo encontro representantes da Austrália, Filipinas, França, Gana e Nigéria.

O horário do comunicado ao governo brasileiro será madrugada no Brasil. O governo brasileiro deverá se posicionar no domingo sobre o assunto. Se for confirmada a execução para 72 horas depois do informe, o procedimento poderá ser realizado na madrugada de segunda-feira, horário do Brasil. 

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