Bay Ismoyo/AFP
Bay Ismoyo/AFP

Indonésia defende execução de oito pessoas por tráfico

Segundo o país, pena é necessária em nome da 'guerra' contra as drogas; antes de morte, condenados entoaram canções religiosas

O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2015 | 08h45

Atualizado às 9h25

CILACAP - A Indonésia defendeu nesta quarta-feira, 29, em nome da "guerra" contra as drogas a execução de oito condenados a pena de morte por narcotráfico - sete deles estrangeiros, incluindo o brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte, de 42 anos.

Além de Gularte, quatro nigerianos, dois australianos e um indonésio foram fuzilados no Complexo Penitenciário da Ilha de Nusakambangan, conhecido como "Alcatraz indonésio". No último minuto, a filipina Mary Jane Veloso foi poupada da execução.

De acordo com um pastor que assistiu às execuções, o oito condenados se negaram a colocar venda nos olhos e entoaram cantos religiosos pouco antes de serem fuzilados por um pelotão.

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, insistiu que é necessário "aplicar a lei" e o fiscal general Muhamad Prasetyo disse que há uma "guerra" contra os "horríveis crimes vinculados às drogas que ameaçam a sobrevivência" do país.

O corpo de Gularte foi transferido da Nusakambangan à capital Jacarta e será enviado ao Paraná. O governo indonésio, porém, não forneceu detalhes de como será o translado.

Crise na diplomacia. O governo Dilma Rousseff (PT) anunciou que estuda medidas contra a Indonésia, ao mesmo tempo que defenderá uma moratória mundial contra a pena - embora não haja mais brasileiros ameaçados de execução.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), lamentou a rejeição dos apelos do Palácio do Planalto. “Cada país tem a sua legislação e, teoricamente, a gente não deve se intrometer. Mas essa situação é absurda. Dois brasileiros sendo executados e nós não podemos fazer nada. Não ter tido nenhum pedido atendido nos revolta. Acho que o governo deveria ter uma retaliação em cima da Indonésia.”

As relações entre os dois países já se tornaram só protocolares. Após execução do primeiro brasileiro, Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, em 17 de janeiro, Dilma chamou o embaixador brasileiro para consulta. Posteriormente, o representante foi removido do país e não foi indicado substituto. 

Em fevereiro, Dilma recusou as credenciais do asiático Toto Riyanto e ele precisou voltar a Jacarta. Atualmente, o principal representante indonésio no Brasil é um ministro-conselheiro, enquanto o Brasil é representado naquele país por um encarregado de negócios. 

Ao lado de Gularte, foram executados os australianos Andrew Chan e Myuran Sukumaran - o que motivou a retirada do país do embaixador - , o indonésio Zainal Abidin e os nigerianos Martin Anderson, Raheem Agbaje, Silvester Obiekwe Nwaolise e Okwudili Oyatanze./COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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