A presidenta Dilma Rousseff na cerimônia de entrega de credenciais de novos embaixadores
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Indonésia protesta contra decisão de Dilma de não receber credenciais do governo

Execução de brasileiro condenado por tráfico abalou a relação entre os países; governo tenta anular a execução de Rodrigo Gularte

João Domingos, O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 13h26

BRASÍLIA - O governo da Indonésia protestou oficialmente contra a decisão da presidente Dilma Rousseff, tomada na sexta-feira, de se recusar a receber as credenciais do novo embaixador daquele país no Brasil, Toto Riyanto. O gesto de Dilma foi tomado de última hora, e agravou mais a crise diplomática entre o Brasil e a Indonésia. O problema ocorreu no momento em que o governo brasileiro tenta negociar a transferência de Rodrigo Gularte, preso por tráfico de drogas e condenado à morte, da prisão para um hospital psiquiátrico.


De acordo com o Itamaraty, o protesto da Indonésia foi oficializado na noite dessa sexta. O embaixador do Brasil em Jacarta, Paulo Soares, foi chamado ao Ministério das Relações Exteriores da Indonésia, quando recebeu o protesto formal contra a decisão de Dilma. Antes, o governo daquele país havia chamado Riyanto de volta a Jacarta, até que o Brasil marque uma nova data para a entrega das credenciais.


Os gestos tanto do Brasil quanto da Indonésia são considerados no mundo diplomático resposta dura de um a outro. Não aceitar as credenciais de um embaixador já designado não tem precedentes nos últimos anos no Brasil. Riyanto já estava no Palácio do Planalto para receber as credenciais. Foi informado pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, de que fora excluído da relação dos que estariam com a presidente Dilma Rousseff. Em seguida, o embaixador foi retirado por uma porta lateral, enquanto diplomatas de outros países que também apresentariam suas credenciais, foram recebidos pela presidente Dilma Rousseff e desceram pela rampa do Palácio do Planalto.


A confusão diplomática entre o Brasil e a Indonésia começou porque a presidente Dilma Rousseff havia feito um apelo ao governo do país asiático para que suspendesse a execução de brasileiros condenados por tráfico de drogas. No mês passado Marcos Archer foi fuzilado sem que os apelos do Brasil fossem levados em conta. O governo reiterou o pedido de perdão para Rodrigo Gularte, alegando que ele precisa ser transferido para um hospital psiquiátrico. A lei da Indonésia determina que os condenados tenham plena consciência de seu crime e da punição, antes de serem executados.



Em nota - e antes de entregar o protesto formal ao embaixador brasileiro em Jacarta -, o governo indonésio considerou "inaceitável" a forma como seu embaixador foi tratado pelo governo brasileiro. "A maneira com que o ministro das Relações Exteriores do Brasil subitamente informou o embaixador designado sobre o adiamento da entrega de suas credenciais, quanto o embaixador já estava no palácio presidencial, é inaceitável para o governo da Indonésia", diz o texto do comunicado do governo do país asiático.

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