Beawiharta/Reuters
Beawiharta/Reuters

'Indonésia segue as leis internas e pode fazer o que fez', diz professor

Carlos Vidigal, da UnB, afirma que reação do governo brasileiro ao fuzilamento de Marco Archer é destinada mais ao público interno

João Villaverde, O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2015 | 17h17

BRASÍLIA - A reação do governo brasileiro ao fuzilamento do brasileiro Marco Archer na Indonésia é destinada muito mais ao público interno, aos brasileiros, do que às relações com a Indonésia. A avaliação é do especialista Carlos Vidigal, doutor em relações internacionais e professor de história da Universidade de Brasília (UnB). 

Segundo ele, o governo Dilma Rousseff age corretamente, ao seguir o que determina a Constituição, que proíbe a pena de morte, e ao explicitar o que os brasileiros querem ouvir: "Todos queremos nos sentir seguros pelo governo brasileiro quando estamos no exterior", disse. "Mas o Brasil e nem ninguém tem força para alterar a situação. A Indonésia está seguindo as leis internas dela e pode, sim, fazer o que fez", afirmou Vidigal, que citou o caso do italiano Cesare Battisti, condenado na Itália e que teve a concessão de refúgio como preso político no Brasil, em 2010. 

"Podemos discordar, mas os países têm sua soberania e suas regras internas. Nos Estados Unidos, por exemplo, também há pena de morte e um dos crimes expressos como passíveis dessa condenação é o tráfico de drogas."

De acordo com o especialista, o Brasil não pode aplicar nenhuma retaliação à Indonésia por conta da execução de Archer, que fora preso por tráfico de drogas. Questionado pelo Estado se a relação econômica e comercial com a Indonésia poderia sofrer abalos, Vidigal foi direto: "De forma alguma. São esferas completamente distintas. Não há nenhuma razão para retaliação do governo brasileiro à Indonésia."

Em 2014, a corrente de comércio (soma de exportações e importações) entre Brasil e Indonésia somou US$ 4,04 bilhões (ou cerca de R$ 10 bilhões). O volume representou apenas 1,25% do total registrado no ano passado pelo País. Apesar de pequeno, o resultado de 2014 foi o maior porcentual em 15 anos.

"As retaliações econômicas ocorrem em casos geopolíticos muito mais graves. Os Estados Unidos, por exemplo, aplicaram retaliações comerciais à Rússia por conta da anexação da Crimeia após conflito entre russos e ucranianos. Agora não há absolutamente nada parecido", disse Vidigal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.