Indústria e políticos criticam tentativa de recriar tributo

Fiesp cobra a Emenda 29, tucano rechaça CPMF e defende reforma, enquanto Delfim pede simplificação tributária

Daiene Cardoso AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2010 | 00h00

A tentativa de recriar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o imposto do cheque, foi criticada por empresários e políticos que participaram do Congresso da Indústria Fiesp 2010, realizado ontem na capital paulista. Eles também defenderam a redução dos gastos públicos.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que a entidade não terá limites na luta contra a volta desse tributo e defendeu a regulamentação da chamada Emenda 29, para ampliar o financiamento para a área de saúde.

O governador eleito de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), também aproveitou o evento para rechaçar a volta da CPMF e defender uma reforma tributária. Para ele, a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) terá força política para fazer a reforma no início de seu governo. "A presidente Dilma tem a faca e o queijo nas mãos para fazer um grande consenso nacional, costurar a reforma tributária possível e encaminhar um projeto ao Congresso."

Coerência. Para Perillo, Dilma pode buscar o entendimento com governadores e empresários sobre a questão. O tucano lembrou que, como senador, lutou pelo fim da CPMF e que manterá, como governador de Goiás, a mesma postura por "questão de coerência".

O ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto afirmou ser mais importante a sociedade "insistir em pequenas coisas", para tornar viável a reforma tributária, que há dez anos é debatida no País. "Não adianta imaginar uma grande reforma", avaliou.

Após dizer que a arrecadação prevista pelo governo federal sede R$ 1 trilhão em 2011, Skaf - que foi candidato a governador de São Paulo pelo PSB e apoiou a candidatura de Dilma - criticou os que sonham com o retorno da CPMF.

"Tenham cuidado. Vamos fazer com que esses sonhos virem pesadelos", ameaçou. "A sociedade brasileira não vai aceitar qualquer tipo de aumento tributário."

Contradição. De acordo com Skaf, a volta da CPMF abriria brecha para criação de impostos em áreas específicas, como segurança e educação. Para ele, Dilma não vai tentar recriar o tributo. "Não acredito que ela apoiará a CPMF, nem a CSS (Contribuição Social para a Saúde), nem qualquer imposto. Seria uma contradição com o que ela pregou durante a campanha."

Filiado ao PSB, Skaf falou do movimento de governadores de seu partido a favor da CPMF, destacando que já começaram a mudar de opinião, como o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande. / COLABOROU RICARDO LEOPOLDO

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