Infestação de insetos atinge a Billings

Falta de equipamentos e dificuldade de combate a aguapés são causas

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 00h00

O rosto de Isabela, de 7 meses, está cheio de marcas de picadas de pernilongos. "O inseticida elétrico não é suficiente", diz a dona de casa Ivone dos Santos, moradora do Jardim Satélite, próximo da Represa Billings. Nesta época do ano, o aumento da temperatura provoca a proliferação dos insetos, mas ela acha que a situação está pior. Sua vizinha Magali Conde aplica o repelente em aerossol e fecha portas e janelas às 17 horas. " Sei que não é saudável, até porque tenho rinite." Para ela, um frasco de inseticida dura dois dias. À noite é pior: além das picadas, o zumbido não a deixa dormir. Ela já reclamou para a Subprefeitura de Capela do Socorro, que "prometeu o fumacê, mas ainda não veio". De outubro para cá, a subprefeitura recebeu mais de 480 reclamações sobre a infestação. Ela diz que intensificou a limpeza de córregos e aumentou o número de carros que pulverizam inseticida. Mas as medidas trazem alívio momentâneo. "O fumacê mata o mosquito, mas não o criadouro", diz o chefe de gabinete da subprefeitura, Elmer Marques. Segundo ele, a infestação foi causada pelo crescimento de aguapés na Billings. Os insetos depositam seus ovos nas folhas. A subprefeitura não fez estudo para saber as razões do aumento da vegetação. Outra novidade é o aparecimento de outra espécie de mosquito, o Mansonia, que tem o dobro do tamanho do comum, o Culex, e cuja picada é mais ardida. A Secretaria Municipal da Saúde disse, por meio de nota, que o Centro de Controle de Zoonoses desenvolve o Programa Municipal de Controle do Pernilongo nas áreas das Represas Billings e Guarapiranga. No caso de alta infestação, utiliza inseticidas. Para a regulação das larvas é usado inseticida biológico, por se tratar de área de manancial, e para a de insetos adultos, inseticida químico, respeitando uma distância mínima de 50 metros da água. Há dois anos, a região do Rio Pinheiros era bastante afetada pela infestação de pernilongos. Uma parceria entre a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) e a Subprefeitura de Pinheiros reduziu o problema. A Emae retirou a vegetação das margens do rio e a subprefeitura combateu as larvas com inseticidas. A presidente da Sociedade de Amigos do Alto de Pinheiros (Saap), Maria Inês Barreto, atesta que não tem recebido reclamações. Para o diretor da Emae, Antonio Bolognesi, a tarefa é mais difícil na Billings, pois como os aguapés são plantas flutuantes, sua remoção é cara e difícil. "Além da quantidade imensa de aguapés, a Emae não dispõe de barcaças na Billings." Os aguapés atuam como filtros naturais da água, mas o aumento desenfreado indica poluição ambiental e pode estar associado ao esgoto depositado irregularmente na Billings. "É perigoso usar produtos químicos em áreas de mananciais, destinadas ao consumo público", diz o professor do Departamento de Ecologia Marcelo Pompêo, da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, estudos mostram que agrotóxicos permanecem no ambiente de 15 a 20 dias.

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