Infestação de plantas aquáticas atinge Rio Paraíba em SP

O Rio Paraíba do Sul, no trecho paulista, está sofrendo uma infestação da vegetação chamada popularmente de capituva. Alimentadas pelo esgoto doméstico jogado no rio e pelo lixo, as plantas aquáticas têm caules grossos, se proliferam rapidamente e ameaçam as estruturas das pontes de pelo menos doze municípios da região. Em São José dos Campos a prefeitura anunciou nesta segunda-feira, 28, que vai gastar R$ 145 mil para limpar um trecho do Paraíba e dele tentar tirar a capituva. O processo de licitação deve ter início na quarta-feira.Na ponte Minas Gerais, acesso ao bairro Alto da Ponte, em São José dos Campos, os moradores já se cansaram de reclamar e lamentam tanta sujeira. "Outro dia eu vi um boi caído aí. Ele ficou debaixo da planta e morreu", contou o aposentado José Aparecido da Silva, que todos os dias passa pela ponte, onde a vegetação avança. "Antes a gente pescava aos montes, agora é só poluição e mau cheiro", reclama o aposentado, que mora há 66 anos no local.A capituva - que também é conhecida por alface d´água - ainda retém o lixo no rio, jogado freqüentemente pelos próprios moradores, o que torna o problema ainda maior. Para o ex-pescador, a "sujeirada" virou até atração turística. "Todo mundo para pra ver essa tristeza."No ano passado, as cidades de Tremembé e Caçapava também tiveram problemas nas pontes dos municípios, que chegaram a ser interditadas por causa das plantas aquáticas.O problema é recorrente e, por este motivo, o diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Oscar de Moraes Cordeiro Neto, e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), convocaram doze municípios, entre eles São José dos Campos, Jacareí, Taubaté e Guaratinguetá, para uma reunião na próxima sexta-feira, 1º de setembro, às 10 horas, em Jacareí.A ANA considera grave o problema da proliferação das plantas aquáticas que se alastram também por causa da alta concentração de esgoto doméstico no Paraíba do Sul. Atualmente, um bilhão de litros de esgotos domésticos, praticamente sem tratamento, são despejados diariamente nos rios da bacia do Paraíba e 90% dos municípios da bacia não contam com estação de tratamento de esgoto.

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