Infidelidade só na reforma

O governo está preocupado com a perspectiva de crescimento do PMDB, que investe na crise da oposição, dividida e fragilizada após a derrota eleitoral de 2010. Assim como o PSB, outra legenda em ascensão, o principal aliado governista acena para os náufragos do DEM, cuja personagem mais visível é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2011 | 00h00

A intervenção do senador Aécio Neves (PSDB-MG), decisiva na vitória do deputado ACM Neto (BA) para a liderança do DEM na Câmara, aumentou o número de insatisfeitos no partido, cenário propício para o assédio a potenciais dissidentes. Há ainda os eleitos pelas chamadas legendas de aluguel que buscam espaço em legendas governistas.

O PT considera que esses perfis políticos preferem o PMDB e o PSB não só por causa do filtro ideológico mais estreito do partido como também por conta do dízimo de 20% descontado nos salários de seus parlamentares. E a Executiva Nacional, segundo alguns dirigentes, ainda deve radicalizar as regras para ingresso no partido.

Por isso, começa a ficar claro que o PT não pretende facilitar a vida do rival aliado admitindo a chamada janela de fidelidade - um período curto para transferências sem risco de perda do mandato -, dissociada de uma ampla reforma política que inclua o voto em lista fechada, financiamento público de campanha e fim das coligações proporcionais. Somente nessas circunstâncias, por um período de dois a três meses seria aberta oportunidade para a troca de partidos.

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