Influência da crise mundial na eleição preocupa petistas

Reunidos em São Paulo para dois dias de debates sobre a conjuntura política e de uma possível mudança estatutária, integrantes do PT vocalizaram ontem uma preocupação de que a crise financeira internacional contamine o ambiente político brasileiro e atrapalhe o partido nas eleições do ano que vem.

Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2011 | 00h00

De acordo com participantes da reunião, que ocorreu a portas fechadas, diversos petistas manifestaram inquietação com os problemas econômicos enfrentados pela Europa e pelos Estados Unidos e com as possíveis consequências para o Brasil que possam atrapalhar a avaliação do governo Dilma Rousseff e, consequentemente, o desempenho dos petistas em 2012.

"O Brasil está preparado, mas o câmbio oscila muito. Blindado ninguém está. Temos que fazer esta análise porque no ano que vem tem uma eleição muito importante", afirmou o deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP). "Quando o país está em crise a primeiro coisa que cai é a autoestima do povo. Pode aparecer um aventureiro e fazer uma proposta descabida."

A mesma preocupação foi externada na reunião pelo presidente do PT, deputado estadual Rui Falcão. Ele alertou que o câmbio deve ser motivo de atenção, mas ressalvou que a crise pode conferir ao Brasil papel de maior protagonismo no cenário internacional.

O presidente do PT paulista, Edinho Silva, avalia que a crise americana é preocupante porque um eventual calote afeta a China, a maior credora dos americanos. Na avaliação dele, as medidas de contenção de valorização do real são importantes, mas dificilmente serão capazes de impedir a alta da moeda brasileira.

Novidades. As correntes Construindo um Novo Brasil (CNB) - chamada de Campo Majoritário até o escândalo do mensalão -, Novos Rumos e PTLM avaliam neste fim de semana, além do cenário político, possíveis mudanças estatutárias propostas por um grupo encabeçado pelo deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP).

Entre as proposições estão o aumento do tempo de filiação para o lançamento de candidaturas, a elevação da contribuição financeira dos filiados - o chamado dízimo - e o adiamento do processo eleitoral interno do PT, conhecido como PED, de 2012 para 2013. A princípio, o PED deve ocorrer no meio das eleições municipais do ano que vem.

Hoje, o ex-ministro José Dirceu e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, fazem uma exposição sobre o quadro eleitoral e a tática que deverá ser levada a cabo pelo PT em 2012 e ainda sobre a política de alianças do partido.

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