Infraero ainda não tem local para 2ª pista de Viracopos

A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) anunciou que os moradores dos bairros do entorno do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, não serão mais removidos de seus lares, mas ainda não se sabe onde será construída a segunda pista - fundamental para o projeto de ampliação que pretende transformar o terminal no maior e mais importante do País. A Infraero garantiu que a expansão terá continuidade e não haverá atraso no cronograma. A segunda pista deveria passar pelo trecho onde estão os moradores. A região havia sido declarada de utilidade pública, por meio de decreto, ainda na década de 70. Esse decreto vem sendo renovado a cada cinco anos. Um funcionário da empresa revelou que a decisão de manter as famílias, divulgada pelo prefeito de Campinas Hélio de Oliveira Santos (PDT) no início da semana, surpreendeu a Infraero. O superintendente de Viracopos, José Clóvis Moreira, negou e disse que o assunto vinha sendo discutido entre a prefeitura e a empresa. Não explicou, entretanto, o motivo de os estudos de viabilidade técnica para construção da segunda pista em outra área terem sido iniciados somente agora, depois do anúncio do prefeito. "Não fomos pegos de surpresa. O projeto continua e Viracopos será o aeroporto mais importante do Brasil", disse Moreira. Ele acrescentou que a construção da segunda pista é fundamental para a expansão do terminal, mas não quis adiantar quais as áreas disponíveis que poderão ser utilizadas, alegando que isso somente será conhecido após a conclusão dos estudos. "Não sei qual será o espaço, não fui lá medir", brincou, ao ser questionado se há área suficiente para comportar a segunda pista, com a permanência dos moradores. A previsão é de que os estudos sejam concluídos em 90 dias. Moreira preferiu não considerar a hipótese de o resultado apontar inviabilidade da segunda pista em outra área. "Vai caber, não sei para qual lado. O projeto terá de ser adequado", resumiu. A Infraero alegou que a remoção das 4.565 famílias teria um custo social alto. "É o conjunto da obra", afirmou Moreira, referindo-se também ao valor da transferência e das indenizações que seriam pagas ao moradores. Ele comentou não dispor dos "dados totalizados" sobre quanto custaria a transferência porque a pesquisa socioeconômica das famílias, iniciada no ano passado, ainda não foi concluída. A Infraero deverá gastar R$ 5 milhões, dos quais R$ 4 milhões já foram pagos, aponta levantamento do consórcio Diagonal/GAB. Segundo a empresa, a decisão de manter as famílias foi tomada a partir de alguns resultados preliminares. "É uma decisão da prefeitura", disse Moreira. Para ele, manter os moradores "é a melhor solução". Do total de habitantes da área, apenas 4% se recusaram a responder ao questionário. Os bairros no entorno do aeroporto têm problemas de falta de infra-estrutura e alguns abrigam ocupações não regularizadas. O prefeito anunciou que irá investir R$ 104 milhões em melhorias, incluindo recursos do governo federal, em três anos. "A questão principal é da inclusão social. A somatória dessas questões favorece mais a mudança da pista", disse o secretário municipal de Comunicação, Francisco de Lagos. Ele lembrou que a Infraero já tinha recursos alocados para a transferência dos moradores, mas apontou que esse processo vinha se arrastando por muitos anos e estava "cada vez mais complicado". Lagos afirmou que, com a nova decisão, a segunda pista deverá ser construída mais rapidamente. O presidente interino da Infraero, Adenauher Figueira Nunes, disse que recebeu orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o início da obra, previsto para 2007, seja antecipado. "A intenção é acelerar o máximo possível", afirmou Nunes. Ele insistiu que a segunda pista é "urgente e fundamental" para a ampliação do hub de cargas, a implantação do aeroporto industrial e a consolidação do movimento de passageiros em Viracopos, "como forma de desafogar os aeroportos de Guarulhos e Congonhas e assegurar o crescimento sustentado da economia paulista e brasileira". A Infraero previa investir R$ 400 milhões em Viracopos até o próximo ano, incluindo a construção da segunda pista. O aeroporto tem hoje 9 milhões de metros quadrados e, pelo projeto anterior, com a remoção dos moradores, alcançaria 17 milhões e seria o maior do Brasil em área. Ainda não há previsão da área que ocupará com a mudança de planos. As metas de Viracopos, num prazo entre 15 e 20 anos, são de receber 55 milhões de passageiros por ano e movimentar 720 mil toneladas de cargas. O balanço do ano passado não está concluído, mas até novembro passaram por lá 684 mil passageiros e foram movimentadas 178 mil toneladas de cargas.

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