Infraero critica excesso de escalas feitas por empresas aéreas

Prática contribui para atrasos em vôos no País, afirma presidente da Infraero

Agencia Estado

19 de junho de 2007 | 11h05

O excesso de escalas praticadas nos vôos das companhias aéreas foi criticado nesta segunda-feira, 18, pelo brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). A afirmação foi feita durante o seminário "Um Novo Modelo de Gestão do Transporte Aéreo".Na sua avaliação, a estratégia contribui para os constantes atrasos das aeronaves. "Elas precisam reajustar suas malhas. Elas fazem muitas escalas com o mesmo avião. Se ocorre algum atraso nessas escalas, isso mata todo o País." Pereira contou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) "está estudando pesadamente o assunto".O brigadeiro evitou dar um prazo para a solução do problema nos aeroportos, alegando que a questão é complexa. Ele reiterou que o governo está empenhado no assunto. Segundo ele, "80% do problema é a falta de recursos humanos na área de controle de vôo".DesmilitarizaçãoPereira evitou se posicionar a respeito da desmilitarização do setor. "Se o controlador que estava operando (a tela do radar no dia do acidente com o Boeing da Gol) não fosse fardado, também não teria evitado o acidente." Ele admite, no entanto, que houve falta de planejamento no passado e que o setor aéreo brasileiro cresceu de forma acentuada, muito além do imaginado.O choque entre o jato Legacy e o Boeing da Gol, no dia 29 de setembro de 2006, causou a morte de 154 pessoas, desencadeou a crise aérea no País e fez com que duas CPIs fossem abertas no Congresso, uma na Câmara e outra no Senado."Enquanto o Brasil não tiver um plano aeroviário nacional, não podemos estimar o investimento necessário para se evitar um colapso", declarou. Ele considera que a Anac tem a competência de liderar esse processo, mas que a Infraero irá colaborar com a agência. "O apagão deu o empurrão que faltava para que o plano saia do papel."Pereira aproveitou para rebater as críticas de que a Infraero seria uma "caixa preta" e afirmou que a empresa já entregou todos os documentos pedidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo, antes do prazo estipulado. "Somos transparentes e estamos abertos à discussão."

Tudo o que sabemos sobre:
Infraeroatrasos em vôos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.