Infraero culpa clima por caos; para FAB, algo mais aconteceu

Até as 21 horas deste domingo, 36% dos vôos programados no País atrasaram

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 10h05

Depois de problemas de operação na sexta-feira e no sábado, a situação continuou complicada neste domingo nos 13 principais aeroportos do País. Até as 21 horas, 36% dos 890 vôos programados atrasaram mais de uma hora e 87 foram cancelados no período de meia-noite de sábado às 15 horas, segundo a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, culpou os fenômenos meteorológicos pelos problemas que ocorreram desde sexta à noite. Segundo ele, os nevoeiros fecharam aeroportos e isso provocou um efeito cascata em toda a rede. "Até o Aeroporto de Viracopos (Campinas) ficou fechado no sábado por conta de nevoeiros. Temos informação de que esse aeroporto não fecha mais do que cinco vezes no ano por conta de fenômenos meteorológicos", disse Pereira. "Não temos problema nos equipamentos, como também no controle de vôo. Assim, o sistema aéreo estará recuperado amanhã (nesta segunda-feira) cedo", prometeu o brigadeiro. A Aeronáutica diz que só se responsabiliza pelos problemas causados pela pane no sistema de tratamento do planejamento dos vôos, falha que durou 20 minutos. A Aeronáutica admite que esses 20 minutos provocam atrasos em cascata, mas diz que algo mais aconteceu sexta-feira e no fim de semana para provocar tantas demoras e cancelamentos de vôos. Um levantamento feito no Rio, pela Aeronáutica mostra que, na sexta-feira, dos 26,5% de vôos com problemas, as "culpas" ficaram assim distribuídas: 2,65% foram problemas de excesso de tráfego aéreo, 10% foram problemas causados pelas próprias companhias aéreas (vendas de passagens em excesso, panes etc), e 13% atrasos provocados por problemas meteorológicos. Explicação incompleta A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), no entanto, dá sinais claros de que a justificativa da Infraero é, no mínimo, incompleta. Segundo apurou o Estado os atrasos que atingiram os vôos neste final de semana, pouco mais de uma semana depois de a Aeronáutica anunciar um pacote de medidas que colocariam um fim no caos vivido nos aeroportos brasileiros, são causados por um misto de problemas meteorológicos, erros operacionais das companhias aéreas - que teria deixado poucas aeronaves para atender aos imprevistos - e a falta de infra-estrutura nos aeroportos do País. Segundo Anac, a estratégia adotada para desafogar aeroportos como Congonhas e Cumbica - transferir vôos para Viracopos - não tem só ajudado muito pouco no combate do caos aéreo. Mas, em algumas situações, a ´solução´ tem sido o problema. Um exemplo disso é que na noite de sexta-feira, 29, Viracopos tinha 22 aviões no pátio e apenas cinco escadas para servir a todos os vôos e desembarcar os passageiros. Atrasos pelo País No Aeroporto de Cumbica, Guarulhos, até as 19 horas deste domingo, das 195 partidas programadas, 77 (39,5%) atrasaram e 10 (5,13%) foram canceladas. Em Congonhas, capital, até as 20 horas tinham sido registrados atrasos em 38 dos 210 vôos programados e 30 cancelamentos. Os aeroportos de Belém e Fortaleza registraram o maior volume de atrasos - 80% no primeiro e 69,7% no segundo. Houve demora nas operações nos Aeroportos Juscelino Kubitschek, em Brasília (50,8%); Afonso Pena, Paraná ( 50%); e do Recife (56,4%). Efeito cascata Com cronograma apertado de pousos e decolagens, aeroportos com grande movimento, caso de Congonhas e Guarulhos, são os que mais sofrem com o efeito cascata de atrasos e cancelamentos de vôos. Passageiros reclamaram das companhias aéreas nos dois terminais. Como se não bastasse o caos aéreo, um grupo de 11 pessoas de Curitiba que faria conexão em Cumbica para um vôo com destino à Alemanha encarou um caos terrestre. Depois de ver o vôo que estava marcado para sair às 7 horas de Curitiba ser transferido para 13 horas, o grupo ainda teve o avião desviado para Congonhas. Como a TAM demorou para providenciar o traslado dos passageiros para Cumbica, eles perderam a conexão. "Como disse nossa ministra (Turismo, Marta Suplicy), nós temos que relaxar", disse o professor universitário Mário Oliveira Junior, de 32 anos. A TAM reconheceu o erro e garantiu o embarque dos passageiros. Tratamento nada especial O nadador paraolímpico Alexandre Fernandes voltava de uma competição em Porto Alegre e, quando desembarcou em Congonhas, descobriu que seu vôo para Presidente Prudente estava atrasado. Fernandes tentou explicar no guichê da companhia que tem problemas de locomoção, mas não recebeu atendimento adequado. Ele estava acompanhado do treinador Júlio César Monteiro, que o ajudou. "Planejei os vôos para conseguir dar aulas amanhã (nesta segunda-feira), mas já esperava por isso", afirma o treinador. Os idosos também sofreram. Maria Alice Pereira, de 70 anos, desistiu de viajar para o Rio, pois seu vôo estava atrasado há mais de 5 horas. Ela iria ver pela primeira vez a neta recém-nascida, mas telefonou para a filha avisando da sua decisão. "Ela compreendeu, afinal, todos os brasileiros já conhecem a situação dos aeroportos", disse. Pauta para discussão Os atrasos e outros assuntos problemáticos listados no início do período de férias escolares vão ser discutidos nesta segunda-feira, 2, em São Paulo, em uma reunião da Anac com as administrações dos aeroportos e a Aeronáutica. A Superintendência de Serviços Aéreos da Anac vai começar a auditar as vendas de passagens pelas companhias aéreas para saber se as companhias aéreas abusaram do overbooking por conta do período de férias e pelo fato de que poderiam contar com a liberação da pista principal de Congonhas. Colaboraram Alexandra Penhalver, Bruno Moreschi, Carlos Mendes, Monica Bernardes e Tânia Monteiro

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