Infraero descarta sabotagem em nova pane aérea

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, descartou nesta quarta-feira qualquer possibilidade de sabotagem no sistema de energia do aeroporto internacional de Brasília, que teve suas ações paralisadas no domingo e nesta quarta-feira.Um novo pico de energia nesta manhã deixou a torre de controle de aproximação do aeroporto sem luz durante sete minutos. Este novo episódio, no entanto, não interrompeu as comunicações entre a torre de Brasília e os pilotos porque o sistema de rádio continuou funcionando normalmente. Este é o segundo problema de queda de energia em dois dias no aeroporto de Brasília.Pereira disse que apresentará nesta quarta-feira ao Planalto um relatório sobre os problemas ocorridos, ambos agravados por falha humana na operação do sistema. Na reunião de emergência na segunda-feira, no Planalto, já foram apresentados relatos preliminares ao presidente Lula sobre as razões do apagão. Um novo relatório poderá ser apresentado nesta quarta-feira, com novas investigações, feitas em todas as áreas envolvidas: aeronáutica, Infraero e até Ministério das Minas e Energia. Setores da Aeronáutica chegaram a levantar na reunião com Lula a possibilidade de sabotagem, mas a hipótese está sendo rechaçada por todos os setores, que a consideram absurdas, apesar das coincidências ocorridas nos últimos dias. Para ajudar a Aeronáutica em suas investigações sobre a pane no sistema informatizado de comunicação, ocorrida no domingo, que provocou o primeiro apagão da adminstração do novo comandante da FAB, brigadeiro Juniti Saito, o ministro da Defesa, Waldir Pires, convocou dois especialistas na área de logística e tecnologia da informação, de outros setores do governo, para fazer um diagnóstico, no mais rápido tempo possível sobre o que está ocorrendo nos equipamentos.Auditoria internaO ministro não fala isso, mas trata-se de uma espécie de auditoria externa do sistema militar que tem apresentando sucessivos problemas e apagões, deixando o presidente Lula muito irritado e desgastado o próprio Pires. Apesar de no governo já haver uma bolsa de apostas de quem substituirá ministro, Pires assegura que não conversou com o presidente Lula sobre este assunto, que não entregou o posto, que não é seu feitio fazê-lo em momentos delicados como este e que está trabalhando para solucionar os problemas da pasta.VistoriaAinda nesta terça-feira, em um esforço de atender ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que determinou a realização de apuração "imediata e rigorosa" das causas do apagão aéreo do último domingo, o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, foi ao aeroporto de Brasília fazer uma vistoria nos equipamentos e nos sistema de energia do local. Ele visitou o centro de controle e o local onde ficam os geradores e o sistema reserva de alimentação de energia do aeroporto, mas não esteve na torre de controle. "Fui prestar minha solidariedade. Levantou-se que um dos problemas poderia ter sido pico de luz e nós estamos avaliando. Como equipe do governo temos de estar juntos para ajudar a solucionar todos os problemas", declarou, Rondeau, ao informar que dois técnicos do Ministério ficaram no aeroporto à disposição do pessoal da Infraero. "Mas o diagnóstico ainda está sem do feito", disse o ministro, adiantando que, por enquanto, não foi detectado nenhum tipo de problema elétrico no sistema.Problemas independentesTanto do domingo, quanto nesta terça, os problemas foram independentes e ambos causados por falha humana, embora ainda estejam sendo feitas novas averiguações do que desencadeou a pane. No caso do domingo, o houve uma pane de energia e um disjuntor se soltou e abriu. Um outro, automaticamente, deveria ter fechado para proteger o sistema. Aí o gerador de emergência entrou em funcionamento e o operador, que deveria ter isolado o sistema principal do gerador, para protegê-lo, não fez isso, pifando tudo. Entrou, então, em funcionamento o sistema no brack, que só tem bateria para 40 minutos de suporte. Quando acabaram as baterias e o sistema não havia sido recuperado, veio o segundo pico, com muito mais força, que acabou queimando a fonte de alimentação do sistema. Foram mais de duas horas trabalhando para devolver a energia completa ao aeroporto, que ficou com esteiras paradas e movimentação de fingers suspensas. Os painéis de informações de vôos também apagaram, só voltando a operar às 12 horas de segunda-feira, depois de 19 horas de pane.Nesta terça-feira, a torre de controle ficou sem energia por sete minutos, na hora que o técnico da empresa contratada para reconectar o sistema reserva, chamado de no break, estava tentando religá-lo ao sistema principal. Este técnico fez uma ligação errada e tirou o sistema do ar, deixando a torre sem energia e apagando novamente os painéis de informação, que voltaram a funcionar depois de pouco mais de meia hora normalmente.Também está em investigação o que provocou a pane do sistema informatizado de comunicação, no Cindacta 1, em Brasília, que impedia que as informações dos planos de vôo repassadas pelos pilotos para o controle do tráfego aéreo não chegassem aos sargentos-controladores ou chegassem na tela com defasagem de tempo. O presidente Lula tem demonstrado muita irritação com os repetidos problemas que tem ocorrido nos aeroportos e se queixado com os seus auxiliares pelo fato de o problema não ser resolvido até nesta quarta0feira. Ele já determinou que fossem implementados sistemas reserva para evitar que, em caso de panes, os sistemas deixem de funcionar.

Agencia Estado,

20 de março de 2007 | 20h29

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