Infraero diz que situação deve normalizar na próxima semana

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, prevê que a situação dos aeroportos de todo o País só deva se normalizar a partir da próxima semana, apesar da convocação de 149 controladores de vôo para trabalhar em regime de emergência no Aeroporto de Brasília. Pereira admitiu que todos os vôos das grandes companhias aéreas - cerca de 600 - sofreram atrasos em todo o País nesta quinta-feira.Os saguões dos terminais continuaram cheios e os passageiros voltaram a sofrer com os atrasos de até 12 horas. Em Salvador, passageiros tentaram invadir a pista e, em Brasília, um grupo tentou ocupar uma aeronave. Policiais militares e federais foram convocados para estes e alguns outros aeroportos, como os de São Paulo e Rio, onde houve agressões entre passageiros e funcionários de companhias aéreas.O movimento cresceu nos terminais com o início do feriado prolongado, agravando o drama que começou no último dia 27. Controladores de vôo iniciaram uma "operação-padrão" no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 1), de Brasília. A categoria decidiu reduzir o número de aeronaves vigiadas por controlador, o que gera atrasos nas decolagens e pousos e até cancelamentos de vôos.Segundo o presidente da Infraero, a situação começou a se normalizar por volta das 10 horas desta quinta, depois que o Comando da Aeronáutica convocou todos os controladores de vôo que estavam de folga. Pereira, que também teve que esperar quatro horas para embarcar na quarta-feira, do Rio de Janeiro para Brasília, admitiu que todos os vôos das grandes companhias aéreas - cerca de 600 - sofreram atrasos naquele dia.Atrasos e tumultosPara os passageiros, entretanto, a situação não parecia estar melhorando. No Rio, o saguão do terminal 1 do Aeroporto Antonio Carlos Jobim continuou lotado. Pela manhã, os passageiros chegaram a invadir área interna de check-in da Gol, e tiveram de ser retirados por policiais militares. A modelo Lívia Lemos, que partiria às 3h30 para Porto Alegre, contou que ficou assustada ao presenciar a confusão. "As pessoas queriam bater nos funcionários. Nada justifica isso", disse Lívia, que às 10h recebeu a notícia de que seu vôo poderia sair às 14 horas.No Aeroporto Internacional de São Paulo (Cumbica), em Guarulhos, no fim da manhã desta quinta havia 93 vôos atrasados - 59 domésticos e 34 internacionais. Alguns passageiros chegaram a esperar até 12 horas para embarcar. A PM foi acionada por volta das 6 horas para proteger os funcionários da Gol. Os policiais fizeram um cordão de isolamento, posicionando-se entre os funcionários e o guichê de atendimento.Em Porto Alegre, no Aeroporto Salgado Filho, o momento mais tenso foi pela manhã. Um grupo que esperava desde às 23h50 de quarta-feira para embarcar num vôo da Gol para Montevidéu provocou um tumulto ao saber que a viagem estava cancelada. A polícia foi acionada e a situação só foi normalizada às 8 horas, quando a empresa ofereceu um vôo extra à meia-noite desta quinta e providenciou acomodações num hotel durante o dia.Revolta em BrasíliaEm Brasília, no Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek, os passageiros do vôo 1716 da Gol para Salvador e outras capitais do Nordeste tentaram impedir, pela manhã, o embarque de outro vôo que também tinha Salvador como destino. Já tensos com o atraso - o avião deveria ter saído de Brasília às 21h30 da quarta-feira -, os passageiros se revoltaram quando, por volta das 8h30, souberam que outro vôo partiria para Salvador antes do deles.Em Manaus, os painéis do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes tiveram pane e ficaram durante todo o dia sem funcionar. "Esse painel não está funcionando para não deixar a gente ainda mais revoltado vendo os vôos cancelados e atrasados", reclamou Maria de Lourdes da Silva, 45 anos, que teve seu vôo cancelado.Em Maceió, no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares os passageiros do vôo 1844 da Gol, que estava previsto para chegar às 2h30 desta quinta, só chegaram às 14 horas, vindo de Aracaju.Força-tarefaA solução imediata adotada pela Aeronáutica foi a convocação de 149 controladores de vôo de Brasília para uma força-tarefa que trabalhará durante todo o feriado prolongado. Os controladores não poderão deixar seus postos de trabalho e devem cumprir a ordem sob pena de sofrerem processo militar.O ex-presidente da Associação de Controladores de Vôos Ulisses Fontenele afirmou que a medida adotada pelo Comando da Aeronáutica não vai resolver os problemas dos atrasos em quase todos os aeroportos. "Concordo que temos de encontrar uma solução. Mas esta não é a melhor", disse.O presidente da Infraero negou que haja tensão entre a Infraero e a Aeronáutica e procurou tranqüilizar a população com relação à segurança dos vôos. "A população pode ficar tranqüila. Nenhum avião decola ou aterrissa se não tiver segurança."Matéria atualizada às 20h15, para acréscimo de informações

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