Infraero não dá treinamento para inspeção da pista, diz técnico

Responsável pela pista no dia do acidente da TAM afirma a deputados que vistoriou a pista apenas visualmente

29 Agosto 2007 | 16h28

Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo da Câmara na tarde desta quarta-feira, 29, o técnico de serviços aeroportuário da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) Agnaldo Molina Esteves afirmou que a estatal não dá nenhum tipo de treinamento específico para a inspeção da pista. Nesta tarde, o coordenador de Prevenção e Emergência da Infraero Esdras Barros, também depõe na CPI. Ambos eram responsáveis pela inspeção da pista principal do Aeroporto de Congonhas momentos antes do acidente com o Airbus da TAM, no qual 199 pessoas morreram, em 17 de julho.   Veja também: Empresário ligado a ex-diretora da Anac é convocado  CPI da Câmara não chega a acordo para ouvir diretores da Anac Jobim quer 'blindar' agência e admite dificuldades Juíza reafirma crítica a Denise Norma sobre reverso não tinha validade, afirma coronel Tudo sobre a crise aérea  Especial sobre a crise aérea      Barros afirmou aos deputados da CPI que aviões com reverso pinado podiam pousar na pista principal de Congonhas mesmo que ela estivesse molhada "se a lâmina de água estiver com o nível menor do que o máximo permitido." Segundo determinação da Infraero, a pista principal de Congonhas deve fechar quando a lâmina de água estiver superior a 3 milímetros.   Em relação a inspeção que foi feita na pista no dia do acidente, Esteves afirmou que vistoriou a pista visualmente. "Eu estava dirigindo e olhando a pista no dia do acidente", relatou. Segundo ele, no dia do acidente ele informou a torre de controle que a pista estava molhada e sem poças d'água, sem utilizar, no entanto, nenhum instrumento de medição para constatar essas informações. O técnico da estatal explicou aos deputados que após a inspeção visual é que se faz a medição. Ele acrescentou ainda que a inspeção foi feita naquele dia em toda a pista entre as 17 horas e às 17h20 e que, em quatro anos, foi responsável pela inspeção apenas quatro vezes.   Pista molhada   Barros também afirmou aos deputados que o dados de um instituto de meteorologia, analisados pela Infraero, apontam que o índice pluviométrico do dia do acidente foi menor do que o do dia anterior. Segundo ele, um controlador que fica na torre do aeroporto é responsável por passar as informações sobre a pista para o comandante das aeronaves. Ele afirmou também que não é a Infraero que interdita a pista e que "um funcionário da Infraero que fica na pista pede autorização à torre para fechá-la."   Segundo Barros, a pista antiga do aeroporto tinha grooving - as ranhuras que auxiliam no escoamento da água da chuva - até meados de outubro de 2005. Entre setembro e novembro, o grooving foi substituído por um material asfáltico composto por concreto rugoso. Já de acordo com Esteves, a pista atualmente é segura. "Hoje a pista está perfeita, sem nenhuma ondulação", afirmou. Aos deputados, ele afirmou também que "já existia uma programação da execução do grooving na pista" mesmo antes do acidente da TAM.   O deputado Marco Maia (PT-RS), relator da CPI, afirmou que um piloto lhe contou que, "durante chuva, a pista de Congonhas parecia ter um brilho, parecia um sabonete". Barros, porém, respondeu que não basta culpar a situação da pista num acidente como este. "Quando se vai avaliar uma situação dessas, temos de avaliar outras situações, não só a pista. A pista é uma, sim. O peso da aeronave é outra. Os equipamentos, outra. Os pneus da aeronave, outra. A pista é somente uma das variáveis. Acho que tem uma série de fatores têm de ser avaliados."  

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